terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ESSENCIALMENTE BONITO


Mandaram-me escrever um poema muito bonito


Que descreve-se a melodia dos pássaros misturada ao som das cigarras

Com baixo das rolas, harmónico ao suspirar do batente das ondas nas rochas


Com toque mágico do titilar das gotas das chuvas, que ao ler, ou ouvir a sua declamação viajássemos na imaginação, transpondo rios, montanhas, florestas, que a alma de quem lê-se encarna-se a criança

Mandaram-me escrever um poema sem ciência, sem politiquices, a ordem foi para escrever um poema muito bonito, que retrata os lugares mais remotos da essência humana, um poema moderno, dos tempos do agora


Fui escrever um poema muito bonito, lá na marginal!Já lá não estava…

Aconselharam-me a inspirar-se no Mussúlo


Fui escrever um poema muito bonito, lá no Mussúlo, sob botes e potes, informaram-me que caviar não é churrasco…escrever já não dá! Agora é material

O vento, a água, o sol, o mar, agora já não vale!


Escrever poema bonito agora é com Ve T…V6, V12, T4, T6… tantos Vs e Ts que descobri que...


Não sei escrever!


Não sei escrever!

Não sei escrever!

O Autor: Bento José dos Santos

domingo, 5 de dezembro de 2010

WIKILEAKS: O DESNUDAR DA ESPIONAGEM NO CONTEXTO INTERNACIONAL


O Domingo datado de 28 de Novembro de 2010, a organização Wikileaks divulgou mais de 250 mil documentos enviados a embaixadas espalhadas pelo mundo. As informações são as mais diversificadas, mas em geral abordam temas ligados a diplomacia externa, o que gerou um reboliço mundial, causando um forte constrangimento no Estado americano.
Ao longo da História, os estados sempre procuraram sobrepor a sua vontade traduzida em poder sobre os outros estados. Por cá, podemos nos recordar com sabor amargo das lutas entre grupos étnicos. A harmonia internacional é sazonal, não efémero olhar com devaneio os insucessos das maiores agências internacionais na luta para pacificação dos estados.

Da História universal suscita resgatar a situação da França. Antes da Revolução, França era um Estado pobre num país rico. A Revolução Francesa, ocorrida entre 05 de Maio de 1789 e 09 de Novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França.
Ela começou com a convocação dos estados gerais e a queda da bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 Brumário (segundo mês do calendário da primeira República Francesa, 23 de Outubrooutubro a 21 de Novembronovembro) de Napoleão Bonaparte.

Em causa estavam o antigo regime e os privilégios dos sacerdotes (clero) e da nobreza, conforme narrado no site: wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa. A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

A partir dos acontecimentos de 1789, tem-se o crescimento da preocupação por parte dos estados com o que viria a estabelecer-se como segurança interna, com serviços secretos voltados particularmente em regimes autoritários, mas também em democracias estabelecidas ao controlo dos cidadãos. A Revolução Francesa é resgatada aqui, como macro histórico, em função do elemento ideológico ganhar força nos órgãos de segurança, sendo que os serviços secretos passaram a ser usados como arma fundamental no aparato ideológico e repressor do estado.

Assim foi que, no auge do terror da França revolucionaria operavam os “comités de surveillance”, encarregados de vigiar os cidadãos, apoiar as actividades políticas dos clubes republicanos e actuarem como “guardiões da revolução”. Os comités logo se mostraram um importante instrumento de repressão e intromissão do estado na vida privada.

Para dimensionar o que representava o aparato de inteligência no Império Napoleónico, convêm salientar que, a partir de 1804, diariamente, á excepção dos Domingos, Napoleão recebia um sumário de inteligência. Esse relatório abrangia desde estatísticas criminais e listas de presos, até tendências políticas domésticas e estrangeiras, passando por cartas interceptadas, agentes inimigos detidos, resultados de interrogatórios, especulação monetária, estado da opinião pública e dados sobre eventuais conspirações.

O século XX período da grande guerra a II guerra mundial, época que a actividade de inteligência alcançou o seu apogeu, estando presente nas relações entre povos e influenciando nas politicas internas e externas dos países, em tempos de paz ou de guerra, é considerado como o século dos espiões pelo quadruplo qualitativo da “intensidade, abrangência, profissionalização e popularidade”, motivo para rotular como o século XX como o século dos espiões.

As informações disponíveis no site Wikileaks poderá revolucionar o posicionamento da actividade de inteligência externa que esta rotulada pelo cinismo e a perfídia dos governos que entrelaçam as comunidades de inteligência. Os conteúdos dos documentos disponíveis ao público, não geraram ainda uma forte reacção da opinião pública, geraram sim uma crise incubada nas relações entre os estados. Comparado com o famoso “telegrama Zimmermann, que gerou pressão da opinião pública estadunidense pela declaração de guerra contra a Alemanha, o que veio a ocorrer em 06 de Abril de 1917.

Portanto, Wikileaks despoletou a fragilidade do secreto e do extremamente secreto, do modus operandi da inteligência externa. Sua dimensão é prognóstica ao seu escopo de actuação, a inteligência de acordo com Mark Lowienthal, baseando-se na percepção de Kent, é o “processo pelo qual certos tipos de informações importantes para segurança nacional, são requeridos, colectados, analisados e disponibilizados aos tomadores de decisão (Policymakers).

São notícias como as que seguem abaixo, que desnudam o secreto dos serviços secretos:
“A venda de caças para a Força Aérea Brasileira motivou autoridades americanas a fazerem um lobby e entrarem na disputa em uma das maiores licitações já feitas pela Aeronáutica.
Segundo documentos divulgados pelo site WikiLeaks neste domingo (5), a ministra-conselheira da embaixada americana em Brasília, Lisa Kubiskie, reconhece a vantagem da França na possível compra pela negociação direta do gabinete do presidente francês Nicolas Sarkozy. O governo Lula já sinalizou preferência por um modelo francês, o Rafale, que, segundo relatado por Kubiskie em uma das correspondências, usam "argumentos enganosos, senão fraudulentos".

Um dos trechos dos documentos revela recomendações da embaixada: tornar o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos mais "pessoal" pra competir com a França, aproveitar o "bom contato com (Ministro da Defesa, Nelson) Jobim", "ligações entre os presisdentes (Barack) Obama e Lula" e "visita da secretária (de Estado, Hillary) Clinton ao País".
Até o comandante da FAB, Juniti Saito, teria sido alvo do lobby. Segundo os documentos, em encontro com o ex-embaixador americano Clifford Sobel, Saito indica sua preferência por equipamentos americanos. "Voamos no equipamento americano há décadas e sabemos que é confiável e que sua manutenção é simples e oferece bom custo/benefício", teria dito Saito, conforme relatado no documento. O comandante teria ainda pedido uma carta "assegurando transferência de tecnologia" até o "dia 6 de agosto".
O futuro ministro das Relações Exteriores do governo de Dilma Rousseff, Antonio Patriota, também é citado em um dos documentos. Em uma reunião com o atual embaixador dos EUA, Thomas Shannon, sobre o assunto, Patriota teria dito que a "não há decisão (de compra) tomada".” Fonte: Redação Terra.

Mugabe “velho maluco”

Em documento de 13 de Julho de 2007, o representante em Harare diz que os EUA devem se preparar para o processo de mudança no Zimbábue e para ajudar a impulsioná-la. Afirma que a pobreza no país é, em muitos casos, resultados das medidas do governo para manter o poder a qualquer custo e aponta fraude nas eleições. Além disso, usa expressões pejorativas para falar do presidente, Robert Mugabe. Chega, por exemplo, a se referir ao governante africano como “aquele velho maluco”.


Trechos:

“Robert Mugabe tem sobrevivido por tanto tempo porque ele é mais esperto e cruel do que qualquer outro político do Zimbábue”.
“Em 2005, tendo sido obrigado a roubar a vitória manipulando o resultado das eleições que perdeu, Mugabe reagiu, novamente, punindo a população urbana com o lançamento da Operação Murambatsvina”.

Pré-revolução iraniana


Em documento datado de 13 de agosto de 1979, Bruce Laingen, diplomata americano em Teerã, desdenha do "enorme egoísmo que povoa a psique persa" ao observar a revolução no país. Segundo ele, seria possível explorar essa mentalidade em negociações com o novo governo. Menos de três meses depois, ele foi mantido refém na embaixada dos EUA por estudantes radicais, provocando uma crise no governo Carter.

Trechos:

“Talvez o aspecto dominante da psique persa seja um incrível egoísmo.”
“Há várias lições para aqueles que negociam com os persas em tudo isso: Primeiro, nunca se deve assumir que seu lado da questão será reconhecido, muito menos que serão concedidos méritos.”
“Deve-se estar preparado para a ameaça de colapso nas negociações a qualquer momento e não se intimidar por esta possibilidade.”

Ataque ao Irã!

Em documento de 20 de abril de 2008, o embaixador americano na Arábia Saudita relata que o rei Abdullah pediu às autoridades americanas que atacassem o Irã, para acabar com seu programa nuclear. Os Estados Unidos também são chamados a ampliar as sanções contra o país do Oriente Médio. No mesmo documento, o representante americano afirma que os sauditas estão dispostos a trabalhar em conjunto com os EUA para evitar a influência iraniana no vizinho Iraque.

Trechos:

"Ele falou para vocês (americanos) cortarem a cabeça da cobra."
"(...) frequentemente pediu aos EUA que atacassem o Irã para colocar um fim ao programa nuclear bélico do país.”
“Trabalhar com os EUA para reduzir a influência iraniana no Iraque é uma prioridade estratégica para o rei e seu governo.”

Golpe em Honduras


Em 24 de julho de 2009, cerca de um mês depois do golpe de Estado que tirou o então presidente Manuel Zelaya do poder, o relatório do embaixador americano no país latino tenta esclarecer algumas questões em torno da operação. O documento deixa claro que o representante dos EUA não tem dúvidas de que houve um golpe de Estado no país e que "os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Executivo".

Trechos:

“A suposta carta de ‘renúncia’ era uma invenção e nem sequer foi a base para a ação do Congresso em 28 de junho.”
"Não há dúvida de que a chegada ao poder de Roberto Micheletti foi ilegítima."
"Não importa quais sejam os pontos fortes do caso contra Zelaya, sua saída forçada do país por parte dos militares foi claramente ilegal.”
Angela “Teflon” Merkel

Em documento de 9 de setembro de 2009, o embaixador americano em Berlim faz comentários depreciativos sobre a chanceler Angela Merkel. A alemã é chamada de "Teflon Merkel", tachada como "sem criatividade" e com uma atitude "reticente em assumir riscos". Sobra também para o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle. O diplomata americano questiona se o ministro teria conhecimento suficiente, além de classificá-lo como “agressivo e arrogante”.

Trechos:

“Chanceler Angela “Teflon” Merkel toma os holofotes enquanto o FDP espera nos bastidores.”
“(Westerwelle) ainda precisa aprofundar o conhecimento de questões de política de segurança e de negócios estrangeiros.”
O seu pensamento “tem pouca substância”, e é “vaidoso e exuberante.”

Brasil e o terrorismo


Documento de 4 de abril de 2008 mostra que os EUA suspeitaram que a então chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, teria cassado um projeto de lei para combater o terrorismo no Brasil. O projeto teria sido rejeitado por “questões ideológicas”. Outros telegramas enviados pelo embaixador americano, de 2009, indicam que imigrantes xiitas no País teriam recebido US$ 50 mil do Hezbollah. O dinheiro seria investido em comércio, e parte do lucro enviado ao grupo radical libanês. Entre os documentos sobre o Brasil estão ainda os que indicam que, segundo a Abin e a Polícia Federal, a ameaça terrorista no Brasil é real.

Trechos:

"Apesar de não podermos confirmar definitivamente que a Casa Civil cassou a iniciativa por motivos políticos ou ideológicos, isto é certamente plausível."
"Elementos radicais existem aqui, alguns na área da tríplice fronteira."

Chip em presos de Guantánamo


Em documento de 22 de março de 2009, o embaixador dos EUA em Riad informa sobre negociações diplomáticas a respeito dos prisioneiros de Guantánamo. O representante relata que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, propôs implantar um chip nos detidos na base americana que retornassem a países caóticos, como o Iêmen. A medida oferecia, na opinião do monarca saudita, a solução perfeita para os temores de Washington de que os prisioneiros desaparecessem ou decidissem se juntar a uma organização terrorista.

Trechos:

“(...) o rei propôs a implantação de um chip eletrônico nos detidos com informações sobre eles, permitindo que seus movimentos sejam monitorados por Bluetooth. Isso foi feito com falcões e cavalos, disse o rei.”

“Cavalos não tem advogados, e esta proposta enfrenta vários obstáculos jurídicos nos EUA, mas concordei que o acompanhamento dos detidos é extremamente importante.”

Batman e Robin

Um dos relatórios do embaixador dos EUA na Rússia compara o primeiro-ministro Vladimir Putin e o presidente Dimitri Medvedev à dupla Batman e Robin. De acordo com o representante americano em Moscou, Dmitri Medvedev, "indeciso e pálido", é dominado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, um "macho alfa" que continua à frente de temas cruciais no governo, como o programa nuclear iraniano.
Trechos:
(A Rússia é um) "virtual Estado mafioso."
"A democracia russa desapareceu e o governo é uma oligarquia dirigida pelos serviços de segurança."
"Medvedev é Robin e Putin, Batman."
…entre outros…afinal são mais de 250 mil documentos, ainda estou a pesquisar, no sentido de encontrar os que falam sobre Angola.

No entanto, a inteligência externa é aquela voltada á identificação de oportunidades e ameaças relacionadas as capacidades, intenções e actividades de pessoas, grupos ou governos estrangeiros bem como de organizações internacionais e transnacionais. Assim a inteligência Externa está estreitamente vinculada a defesa Nacional e a Politica Externa de um país. A missão de cada serviço de inteligência externa varia conforme o país a que pertence e ao grau de inserção de seu Estado no cenário internacional. Não obstante, há um conjunto de atribuições que costuma a ser comum a maior parte dessas agências nomeadamente: dar apoio as politicas externa, de segurança e de defesa; identificar actividades externas que possam representar ameaça a segurança e aos interesses nacionais; guerra da informação privilegiada; apoiar a planificação da defesa; apoiar operações militares e a inteligência económica.


Hoje o mundo pode e sabe que a espionagem não se extinguiu com o fim da guerra fria, numa acção de contra inteligência genérica, Wikileaks destapou o véu do cinismo e a actividade dos serviços, como: M15 – Bristish Security Service, CIA – Central Intelligence Agency; ABIN – Agência Brazileira de Inteligência; BOSS – Bureau of State Security Service (África do Sul); FSB Federalnaya Sluzhba Bezopanosti (Serviço Federal de Segurança – Federação Russa), entre outros, existem e continuaram a existir.

Logo, os destapados pela Wikileaks podem ir tapar-se nos seus países, não vão querer apelar ao inglorioso e desmedido bom senso politico, ou não! Podem ficar, assim já se conhece o inimigo, e é mais fácil domina-lo ou derrotar-lhe.

Motivo para dizer, nem todos, são nossos…

Epá! Não escrevi politica, pois não!

Bento José dos Santos
Licenciado em Comunicação Social
Especialista em Estratégias Para Rentabilidade Institucional
Mestrando em Direito da Comunicação

sábado, 20 de novembro de 2010

RESPONSABILIDADE PESSOAL E A DIMENSÃO DA CORRUPÇÃO


Prezado amigo leitor,

A partir da presente data, achei conveniente dedicar quatro ensaios, na perspectiva de dinamizar uma hipótese, sob uma só plataforma temática, no caso, “Responsabilidade Pessoal e a Dimensão da Corrupção”, como já deve ter percebido, este é o primeiro!

Não pretendo ser o tal moralista, identificando as raízes ou essências dos casos descritos, o meu objectivo, em função do tema, é dinamizar este exercício. A avaliação moralista ou ética, poderá ser feita pelo próprio, amigo leitor, caberá a si, no final de cada caso, identificar “onde começou o ilícito, no caso a corrupção”…poderás ainda, enviar-me o seu ponto de vista, tomarei nota, e quiçá, futuramente poderei espelhar a sua opinião, retratando o seu nome, na futura obra literária que esta em forja, a ser publicada brevemente;

A minha perspectiva filosófica para com estes ensaios, no que tange especificamente este tema, visa sondar, até que ponto, um determinado cidadão, detém conhecimentos para saber, do seu posicionamento pessoal por formas a contribuir ou estancar a corrupção, ou ainda, participar na sua promoção.

Conto consigo, nestes simples três minutos do seu pouquíssimo tempo,

Pelo que,

Lhe agradeço.



Iº Caso:

*O voo 747 proveniente da cidade de Lisboa acabava de aterrar em solo Angolano, dos inúmeros passageiros que desembarcavam, um fazia as contas a sorte. Will Balond, atravessou continentes para chegar ao destino, não se fazia acompanhar de muitas bagagens, apenas trazia consigo uma mochila pendurada ao ombro, os haveres que continha no interior davam a entender que o seu período de estadia seria curto.

Will Balond, era um cidadão de nacionalidade Baulmar. Sim! Não duvides, ele era um Baulmares, aquela cidade, que não existe.

Antes de viajar para Angola, Will Balond, balizou-se com informações sobre as distintas esferas do contexto sociopolítico angolano. Esta tarefa lhe foi facilitada, graças as novas tecnologias de informação; o recurso aos sites, serviram de barómetro para ter uma visão do que podia ser a realidade do país que seleccionou como meta.

Tinha uma ideia da fragilidade « » dos serviços de emigração, e de outras instituições do estado angolano. Treinará a língua, pelo menos as expressões mais usuais para poder comunicar-se, até arranjar um local para hospedar-se, sabia o nome do hotel que devia mencionar como ponto para estadia, alegando que tinha a reserva já efectuada, sem no entanto corresponder a verdade. Quanto a questão do período de permanência, argumentou que vinte e cinco dias, era o ideal para conhecer Angola. O visto que tinha disponível dava-lhe um período de trinta dias.

Quanto ao motivo da deslocação, afirmará, que era um admirador do continente africano, e Angola, era um país que constava na sua lista para visitas turísticas. Entre outras formalidades básicas da migração, os pressupostos foram ultrapassados. Will Balond estava já em solo Angolano, e fora do aeroporto. Sabia que tinha de ter algum cuidado, pois como em todos países, Angola tinha também os seus criminosos, a sua maneira m´bora…mas tinha!

Acção seguinte foi chamar um táxi, enquanto no seu interior arriscou decidir por uma sugestão que conservava consigo, lerá em um comentário que certo internauta fez a quando da publicação de uma noticia sobre o hotéis e similares da capital do país, no caso “Luanda”.

– Pór falor lebami a iuna pensón aqui na cidadi, kinaxi ou alvaladi, pediu Will Balond ao motorista do starlet bolinha, azul metalizado.

Após acomodação em uma das hospedarias localizada no centro da cidade de Luanda, Will Balond tratou de ambientar-se com o cenário dos típicos expatriados situados em Angola. O seu itinerário correspondia, em frequentar os restaurantes mais requintados da cidade, e procurar conhecer meticulosamente os dirigentes políticos do topo, da República de Angola. A sua deslocação a uma das conservatórias de Luanda, não foi por mero acaso, ai conheceu o Pin-pam, aquele que viria a ser o seu ponta de lança, esta acção de mestre, é ainda fruto das suas pesquisas as informações noticiosas, sobre Angola, publicada em um dos sites mais polémicos da praça da informação Angolana, tomou o cuidado de anotar inúmeros comentários, que davam por conta que as conservatórias de registo civil angolanas, trabalhavam mais no exterior, o pessoal interno era apenas para dar despacho dos casos…

Na perspectiva de Will Balond, Pin-pam era o homem certo, portador da pura gema “da gera mangole 90”, era a pessoa ideal, podia se dizer, que, qualquer necessidade que se manifestava perante ele, o homem tinha uma solução: - Não se preocupa kota, eu tenho um canal para tratar deste assunto, e se não poder pelo meu canal, lá, encontro outro canal, é tudo uma questão de encontrar um canal ou criar um canal, é assim que nós criamos o fantasma chamado sistema, kota”…não liga isto é bobeira, aqui em Angola é assim, eu mbora sou um pobre desgraçado se não bumbar assim vou pitar o qué?!...

Estas eram as palavras pronunciadas por Pin-pam, o jovem do canal; a solução para Will Balond, que até bem pouco tempo não sabia como arranjar estratégias para consolidar-se em Angola, uma vez que o mesmo precisava estender de forma oficiosa « » a sua permanência em Angola, pois seu objectivo era muito mais amplo, do que o simples turismo.

Passaram trinta dias, desde o seu desembarque em Angola, não lhe passava pela cabeça que aquele dia, seria o seu primeiro grande teste…sabia que a conjectura social angolana vivenciava um período de transição, alguns órgãos da soberania do estado, experimentavam uma reestruturação, nunca antes vista, alguns dos novos dirigentes, saíram do mundo das sombras, e conheciam inúmeros actores de ilícitos, nas vestes de homens direito… este facto, constitui, uma das vantagens de trabalhar na sombra, permite ter informações privilegiadas, o trabalho na sombra, é mais ou menos como o conhecer o futuro… vagueava Will Balond sobre os seu pensamentos, quando de repente…

Continua na próxima semana; mas não esqueça… envia a sua opinião sobre “onde começou o ilícito, no caso a corrupção” na narrativa descrita.

*PS: qualquer similitude dos factos narrados, e uma situação real, é mera coincidência, pelo que descarto qualquer responsabilidade, pois este ensaio, é mera ficção.

Epá! Não escrevi politica, pois não!

MPLA, MAIORITÁRIO, TAMBÉM É DEMOCRACIA (Ensaio)


Como quem não quer nada, aquele pedido tinha despertado a atenção de todos moradores do bairro, mereceu também um toque de finura intelectual do doutor Buaqueque, senhor respeitado pelo estudo e pelas kindivas, lá do bairro. Falava-se que era o evento do ano. Afinal de que se tratava?
Era o pedido da Quimbita, filha do Ti-manecas. Não adiantava criticar, pois no que corresponde a crescimento económico, este apresentava um acréscimo de seis dígitos para cada casa, do bairro, que viram as suas vendas a dispararem: já não havia sopa, os pastéis da vizinha Marada também não foram postos de lado, os ovos fervidos e tudo que compunha os ingredientes para uma boa bebedeira, passatempo da maioria da juventude da banda, foram também adquiridos…
A táctica de adquirir todos produtos de auto-consumo na banda para captar a atenção dos demais, foi resultado de uma estratégia implementada há meses, pelo Ti-manecas que não aceitava despender esforço para beneficio de outrem, mesmo que este fosse seu aparentado. Ti-manecas apercebendo-se do compromisso (pedido da filha), lançou uma campanha de mobilização, onde destacou as suas debilidades materiais face as responsabilidades que se lhe aguardava. Não é por acaso, que se considera a filosofia como a essência das ciências. Tudo parte do ideológico. A ideia de construir uma casa, até a sua concepção material, logicamente tem o seu pendor no pré-idealismo.
Talvez os factos, então espelhados, não representam a objectividade deste ensaio, mas certamente, o amigo leitor atento, a de perceber, no final deste ensaio, do porquê da sua contextualização.
Diariamente ouvimos a expressão “partido maioritário”, entretanto lembrar que um partido maioritário é resultado de um sistema eleitoral o qual o mesmo partido sai vitorioso por maioria relativa (ou pluralidade), que representa a maior minoria, ou por maioria absoluta, certamente não é nenhum descalabro…
Mas o que é um partido político?
Partido político, é um grupo organizado formal e legalmente constituído, com base em formas voluntárias de participação, em uma associação orientada para influenciar ou ocupar o poder político em um determinado país.
Não é por casualidade que muitos políticos têm preferido fazer política em ONGs ou criando pequenos partidos políticos que possam controlá-los, e se lançarem, através deles, posteriormente, candidatos a altos cargos políticos, entretanto, este também não é o foco deste ensaio!
Para um melhor enquadramento do tema deste ensaio, propus-me a resgatar o pendor histórico do iluminismo. O iluminismo foi um movimento filosófico que defendeu o final de regimes absolutistas e a divisão de poderes em instituições separadas. Os principais pensadores do movimento foram Montesquieu, Voltaire e Rousseau, na França E Adam Smith, na Inglaterra.
Em sua principal obra “O espírito das leis” Montesquieu analisou as principais formas de governo (despotismo, monarquia e república) posicionando-se como defensor da monarquia parlamentarista.
É nesta obra que Montesquieu afirma que é necessária a separação dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário), sendo cada um deles presidido por instituições distintas e autónomas…outra maka mais!
Em Angola, o MPLA, se assume como um regime político democrático, e melhor que o seu posicionamento, pode-se identificar o seu tipo de liderança politica que se caracteriza pela realização de eleições livres, liberdade de imprensa, respeito aos direitos civis constitucionais, garantias para a oposição e liberdade de organização e expressão do pensamento político.

Tal posicionamento no entanto não anula a disputa pelo poder político e o seu respectivo exercício, inclusive o relacionamento entre aqueles que detêm o poder político (autoridade) e os demais membros da sociedade (administrados).
Na nossa praça estes factos são evidenciados diariamente, na saga da esfera pública. A esfera pública é a dimensão na qual os assuntos públicos são discutidos pelos actores públicos e privados, tal processo culmina na formação da opinião pública que, por sua vez, age como uma força oriunda da sociedade civil, em direcção aos governos no sentido de pressioná-los de acordo com seus anseios.
Sob a óptica de Habermas (sociólogo alemão) em sociedades complexas a esfera pública forma uma estrutura intermediária que faz a mediação entre o sistema político, de um lado, e os sectores privados do mundo da vida e sistemas de acção especializados em termos de funções de outro lado.
Já num outro panorama político, no caso dos Estados Unidos de América onde se acha o protagonismo da democracia, os partidos da disputa política norte-americana também servem para mostrar a solidez das instituições partidárias naquele país. O Partido Democrata, por exemplo, que é o mais antigo dos partidos do país, foi fundado há mais de 200 anos, em 1792, por Thomas Jefferson, um dos chamados "pais fundadores" da nação americana. Jefferson foi também o primeiro membro do partido a chegar à presidência dos EUA, no ano de 1800.
Há pelo menos três outros presidentes norte-americanos do Partido Democrata cujos nomes tiveram maior repercussão no plano internacional: Woodrow Wilson, Franklin D. Roosevelt e John F. Kennedy. Wilson colocou os EUA na Primeira Guerra Mundial, contribuindo decisivamente para o fim do conflito. Também lutou pela criação da Liga das Nações e estabeleceu o Federal Reserve ou Fed, o banco central norte-americano.

Roosevelt governou o país por 12 anos, tendo começado seu governo em meio à catastrófica crise deflagrada pela quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929. Sua actuação foi marcada por uma grande intervenção do Estado na economia e pelo "New Deal", que retirou o país da depressão económica. Kennedy, o segundo mais jovem presidente norte-americano e o primeiro católico a assumir a presidência do país, personificou - no âmbito do possível - os ideais de mudança característicos da década de 1960.
O Partido Republicano também é conhecido por seus membros e simpatizantes como GOP ou Grand Old Party (Grande Velho Partido, onde "grande" se refere mais a valor, do que a tamanho). Embora mais recente do que seu tradicional adversário, também tem mais de 150 anos de idade. Foi fundado em 1854 por militantes antiescravocratas e chegou ao poder quatro anos depois, com a eleição de Abraham Lincoln.

No século 19, o Partido empenhou-se em defesa dos negros e lutou no Congresso pela 13ª. emenda, que aboliu a escravidão; pela 14ª., que garantiu protecção igualitária a negros e brancos; e pela 15ª., que deu direito de voto aos afro-americanos. Com isso, o partido conquistou a simpatia dessa minoria étnica, embora não a tenha mantido ao longo do tempo: desde os anos 1960, os negros norte-americanos votam maioritariamente nos democratas.

Entre os presidentes republicanos de destaque, encontra-se certamente Theodore Roosevelt, um republicano que não pode ser taxado de conservador, no sentido mais estrito da palavra. Prêmio Nobel da Paz de 1906, Ted Roosevelt desenvolveu uma política progressista e, por sinal, foi um pioneiro da preservação ambiental, tendo criado 170 mil km2 de florestas nacionais e 53 reservas naturais.

Como podemos constatar estes partidos lendários, foram, e são maioritários na terra da democracia…por cá, o MPLA é o partido maioritário resultante de um acto democrático (voto), não se apresenta como partido ditatorial, assume sim, a responsabilidade de buscar soluções para os problemas da sociedade, e para isto, recai-lhe o desafio de elaborar e implementar as estratégias mais correctas para o objectivo definido…”o bem-estar social”!

Dizer que se pode alcançar o bem-estar social sem ferir sensibilidades, em algumas ocasiões, estaríamos presentes a uma utopia, afinal a nossa condição de humanos racionais dá-nos a capacidade de pensarmos diferente. Assim, a utopia de culpabilizar o estado para os graves problemas de saneamento, e logo de seguida a reprovação pelo facto do estado assumir a responsabilidade sobre os mesmos factos no tempo e no espaço, é um paradoxo sem fim. Neste âmbito, suscita questionar, retoricamente, é correcto culpar o estado sob tais factos sociais?

Na minha opinião, acho que muitos problemas sociais são sim da culpa do estado; afinal, o estado somos todos nós…

No entanto, cobrar responsabilidades ao governo, ai sim, pode-se espelhar o MPLA, entretanto, o percurso para ser o partido maioritário que é, e os desafios que assumiu para alcançar o bem-estar social, dá-lhe a prova inequívoca que é um partido maioritário por merecer.

Talvez, seja o teu caso, pensares que não estou correcto, e a tua opinião tem mais apoiantes, isto tornar-te maioritário, mas não faz de ti um ditador, quando, aceitas e vives a diferença como um todo, e por fim tens voto de confiança de quem decide.

Ser maioritário é sinónimo de trabalho e compromisso com a vontade do povo.


Epá! Não escrevi politica, pois não!

INTELECTUALISMO E O CLIENTISMO VERDE E VERMELHO (ensaio)


Bento dos Santos


Tão jovem, tão rico, tão velho, logo tão astuto… podia ser diferente, se não fosse o desfecho de um acto solene. Tratava-se de um casamento. Todo mundo «« »» reunido, e, como é habito, a atenção dos distintos convidados centrava-se em dois únicos seres…óbvio, o noivo e a noiva. Também, podia ser diferente, se fosse um casamento insólito, quiçá, “como o de certa cidadã, que pelo mundo dos continentes decidiu casar-se sozinha”, já viram! Mas então, casamento não exige a presença de um casal… em certos casos, o outro parceiro finge assumir ser do sexo oposto…para onde vamos com o modernismo nos eventos… como disse alguém: “quanto mas se estuda mas se entende o desentendido”… epá, esta é outra história, para outro ensaio, quiçá…

Como grafava nas primeiras orações, podia ser um casamento como tantos outros, aqueles em que a noiva exibe um cinismo aparente no olhar, descrevendo o seu receio no que lhe espera nesta nova fase, começando pelo mais logo; onde a noiva olha de esguelha para o noivo, como se este fosse o filho que ela acaba de brotar no mundo, dando uma de que “tenho o homem direito…só a calma dele”! E o noivo então, sorrisos a meio lábios, vinco na testa a ti-respón, mas na mente… passa um copo e mais outro, e quiçá, não podia já começar nas convidadas… mas, epá, põe juízo, afinal não estamos em campanha na vila…

Pois, podia ser diferente, se aquele noivo não fosse um homem com muitas culpas, e os factos o fizeram assumidamente responsável da desgraça de muita gente.

A noiva ainda lembrou-se o quanto seu pai sofrerá, tentando levar avante seus ideais empreendedores, por meio de actividades comerciais, lá na comuna. Os ditos lutadores da democracia queimavam os seus bens (alimentos, bebidas, etc., etc., até o próprio carro que transportava não era poupado…), queimavam a esperança de vida, que já fora repleta de sofrimento. Podia ser diferente, se o noivo não fosse o tal, filho do tal, que neste muito que supostamente fez de conta que fez, não estivesse entre os milhares de mortos, que partem, e nunca dão recado de como é lá, no paraíso ou inferno…

Podia e mais podia… se não se assumissem como os outros, ditos intelectuais, agora nas vestes de professores «« »», começa haver diferença de professor e professor, passa o pleonasmo, se eu for professor do 1º ou 2º ciclo, as pessoas dizem “ele dá aulas” e eu for professor que lecciono em uma universidade, as pessoas dizem “ele é professor universitário”, epá! Como grafava, são os ditos professores universitários, que fingem desnudar-se das cores e subsidiar-se da razão científica, não vai ver que a sala de aula ainda se transforma num confessionário…só que a razão científica não é simétrica ao clientelismo a que estais mergulhados.

Os autores Bobbio, Lévy e Demo, citados na Bibliografia, concordam com um aspecto em comum: o intelectual é definido pelo meio social no qual vive e/ou no qual estabelece sua trajectória social. Um dos principais espaços de actuação do intelectual é a Universidade. A ciência seria parte da ideologia do intelectual, assim como a dedicação à prática científica e o desejo do exercício de um cargo no ensino superior enquanto modo de distinção social. Devido à acção reflexiva, o intelectual é portador de uma autoridade científica quando se expressa.

O intelectual estabelece relações com a sociedade através de seu status de intelectual. Estas relações, inseridas num conjunto maior de relações de poder, colocam o intelectual em situação de comprometimento político: suas ideias não são desvinculadas da existência social e suas proposições seguem uma orientação determinada. O intelectual pode então, através de seu intelecto, contribuir para determinado regime político ou determinada concepção de mundo.
Já o clientelismo é um subsistema de relação política, com uma pessoa recebendo de outra a protecção em troca do apoio político. O que caracteriza o clientelismo é o sistema de troca. Como nota característica o cliente fica em total submissão ao patrão, independentemente de com este possuir qualquer relação familiar, empregatícia ou qualquer outra.
No desenvolvimento social o clientelismo é uma ferramenta muitas vezes utilizada para enfraquecer o capital social e humano de uma determinada localidade, ou de uma nação por inteiro. Ao se privilegiar a obtenção de benefícios oriundos de entes externos a uma localidade, ocorre o enfraquecimento das relações horizontais, homem a homem; cidadão a cidadão, diminuindo a capacidade de colaboração destes indivíduos e ampliando a competição por mais recursos exógenos, e que não geram riquezas locais. Este processo gera um círculo vicioso que ao longo do tempo é capaz de desmobilizar completamente uma comunidade.
Por isso, e segundo Augusto de Franco, o clientelismo busca manter a verticalização da esfera pública e "modos de regulação autocráticos", dificultando a democratização da sociedade. Franco acrescenta ainda que desta maneira os programas de combate a pobreza é desenhada, não faz com que se diminua a pobreza, pois alimenta "continuamente a cadeia vertical de subordinações e favores pela qual se exerce o clientelismo".
Ai surge o paradoxo dos abutres do intelectualismo, que fazem uma mistura na conceituação, criando confusão na interpretação social, classificando-os de intelectuais. Nesta jogada de inteligência, os aparentemente mais sábios, criam cenários propícios para alcançar os seus objectivos, vendendo a imagem de “meros rectos”, entenda-se como parónimo ao adágio “lobos na pele de cordeiros”.
O conflito ideológico introspectivo da questão, quanto mais se ganha…ser intelectual, ou um mero servidor do clientelismo? …tem procurado suporte em várias acepções, como exemplo, a finalidade da existência humana.
Hoje, assistimos o casamento entre o intelectualismo e o clientelismo. E não é que estão a fazer filhos bonitos e aparentemente saudáveis?!
Só que, tem todos um defeito; têm todos o mesmo nome…chamam-se “sistema”! E estes têm também nas suas vestes as cores, verde e vermelha.
Epá! Não escrevi politica, pois não!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Liberdade de Imprensa e os Jornalistas Angolanos



Muitos da actual geração dos jornalistas Angolanos formaram uma categoria de suma importância na implementação do actual sistema politico Angolano. Num passado recente os profissionais da classe viram a sua oportunidade de formação e especialização por via das bolsas atribuidas na década 80.
 
Os jornalistas se formavam na própria redação, e a própria redacção. Muitos vinham de famílias de baixa renda e após serem linotipistas acabavam por se transformar em jornalistas. Facto que até hoje começa a dar sinais de mudança, pois pessoas de baixa renda começam a sentir dificuldades de conseguirem emprego de jornalista numa redação.

Na década de 1990, com o neoliberalismo, o jornalismo virou uma mercadoria como outra qualquer, aqui para nós este fenómeno começou precisamente desde 1992. O que importa é o quanto vai render. Infelizmente a caixa de pandora esta a ser aberta lentamente no jornalismo Angolano e começa a valer tudo ou quase tudo.

Actualmente na grande imprensa mercantil o que importa começa a ser o número de cópias vendidas a verdade factual não é mais buscada e sim o quanto a informação publicada vai render aos investidores, o que promove o sensacionalismo. O jornalista não tem liberdade de escrever sobre o que acha de determinado assunto, e quem dúvidar que o prove... A pauta é ferramenta de controlo.

Actualmente é impossível escrever qualquer matéria sem analisar os parceiros, como exemplo as empresas que anunciam neste meio o que dá a falsa impressão de que só tem liberdade de expressão quem tem muito dinheiro. Assim não é suicidio afirmar que quem estrangula a liberdade de imprensa são os próprios profissionais da classe, mas é preciso sublinhar que estes são os falsos profissionais, individuos adaptados, que pelo facto de saberem escrever são rotulados como jornalistas.

Isso quebra qualquer sentido de imparcialidade do jornalismo. É só ler as matérias das capas dos jornais para perceber que sempre tem uma matéria negativa direccionada ao governo e nada contra a oposição, os pensos mornos não cessam, e não faltam motivos para se escrever sobre taís governantes.

A ordem dos detentores midiáticos é derrubar a imagem do lider do partido no poder não por amor a moralidade pública ou outra causa nobre, mas para assumir uma atitude revanchista de filhos traidos. De forma orgânica a mídia privada tem batido todos finais de semana sobre a imagem presidente de Angola, promovendo a falsa informação de que tem sucesso é corrupto (...) assim julgam os hipocrátes.

E disso sabem os jornalistas que publicam as matérias diariamente nos jornais. Ninguém é ingênuo. Esses jornalistas são oriundos da classe média Angolana e muitos deles são ideologicamente fechados. Seguem de forma canina o que mandam os donos das redacções, alugam o corpo do pescoço para cima. Isso coloca na ordem do dia a necessidade de democratização do acesso aos meios de comunicação. Os bancos Angolanos poderiam conceder financiamento para fortalecer outras empresas de comunicação e que novas sejam criadas. Também portais devem ser criados e estimulados na internet além de popularização da banda larga. As rádios comunitárias precisam de ser rapidamente criadas em toda extensão do país e com apoio, e o espectro eletromagnético (cada canal pode se transformar em quatro).

Talvez deviamos começar pela realização de conferências sobre a Comunicação Social Angolana no seio acádemico trate deste tema com a devida inteligência.

domingo, 7 de setembro de 2008

ELEIÇÕES 2008 EM ANGOLA

CONSTATAÇÃO DE UM ELEITOR

Sou Angolano vivo em Angola, acompanhei e participei no processo eleitoral angolano, não sou na cidade de Luanda onde resido mas também tive a iniciativa de deslocar-me inúmeras vezes ao interior do país pelo que constatei que as eleições em Angola foram realizadas num clima pacífico onde se destacou o protagonismo dos diversos actores políticos. As eleições em Angola foram livres e justas. Passo a ser mais abrangente afirmando que o processo eleitoral no seu todo teve uma avaliação positiva; Sustento esta afirmação com base nos factos a que me foi constatado a partir das campanhas eleitorais para a legislativas, estendendo à presença dos partidos políticos nos meios de comunicação que a meu ver foram puramente individualistas, a constar no modo pelo qual os partidos políticos organizaram a participação de seus candidatos nos programas eleitorais. Estes resgataram junto do eleitorado consequências significativas tanto sobre a sua imagem pública quanto sobre o seu desempenho nas urnas.

A nossa divisão eleitoral foi plurinominal pois o sistema proporcional a que nos submetemos esta associada a esta jurisprudência. Relativamente ao segundo atributo dos sistemas eleitorais que consiste na estrutura do voto que determinou o nosso grau de liberdade democrática (nós eleitores em relação à oferta dos partidos) o nosso voto foi categórico, tendo em conta que nos foi oferecido um cardápio mutuamente exclusivo de alternativas partidárias, dentre as quais cada um de nós escolheu o partido da sua conveniência dentre todos que disputaram as eleições. Este procedimento define inicialmente o quociente eleitoral (QE) que é igual ao somatório de todos os votos válidos dividido pela magnitude do número de eleitores circunscritos.

1º O que determina a quantidade mínima de votos que um partido necessita para obter o direito de eleger algum parlamentar, e funciona como cláusula de exclusão. Assim sendo a fórmula eleitoral a dotada pela CNE (comissão nacional eleitoral) tratou directamente do princípio de representação que permitiu diferenciar, a partir da votação a todos os competidores, os vitoriosos dos derrotados.
Gostaria de enfatizar algumas questões tidas a meu ver como as mais problemáticas neste processo:
1º Porque motivos o eleitor resolve comparecer às urnas no dia da eleição ou, inversamente, resolve ignorar o processo eleitoral?
 
2º O que leva esse mesmo eleitor a decidir votar no candidato/partido A e não no candidato/partido B?

3º Ao correlacionar-mos as fases estruturais que este esteve envolvido o processo eleitoral notamos uma ampla complexidade a que se submetia o seu exercício. Veio a confirmar a tese de Bachelar que afirmou que a “realidade nunca se nos oferece directamente, mas é captada e construída” assim o fizemos mais uma vez com o processo eleitoral que envolveu toda dinâmica social. No entanto a informação divulgada pela CNE sob a prescrição no que corresponderia ao local para o eleitor exercer o seu direito de voto provocou insatisfação, motivou excessivamente a ansiedade tendo em conta que este último (eleitor) localiza-se maioritariamente em contextos de baixa informação, isto é, o imperativo que se sobrepôs ao eleitor em votar em áreas específicas disseminou para negatividade, contrapondo a objectividade do escrutínio. Entretanto tal facto não afectou o eleitorado em seguir as directrizes racionais na selecção do seu partido, esta é uma realidade incontestável!
4º A polémica divulgação (pela CNE) da informação de que o número de boletins atribuídos as assembleias de votos seria limitado em função dos eleitores a esta destinados, espelhou a falta de inteiração no processo de comunicação política de duas vias, onde dois actores nomeadamente CNE e eleitores, deviam previamente dialogar com base em pesquisas que estabelecem um pacto fundamentado em estratégias de intenções, considerando que os eleitores querem que seus desejos, interesses e demandas sejam implementados. Esta anuência indignou a magnitude a que se previa na lisura do processo. Outra constatação menos boa, registou-se no processo de recrutamento e selecção dos recursos humanos, esta foi tardia e não obedeceu os critérios a que se propunha, e mais uma vez foi sub-aproveitada a classe de estudantes universitários, os professores, etc. Isto porque não houve um cronograma de tarefas conciso para este processo que devia ser executado num período de dois meses mínimos de antecedência, ficando por um período de sete dias o refrescamento antes da data do pleito a cinco de Setembro.
5º No que corresponde as horas para formação a CNE em consonância com o governo podia subtrair uma hora da jornada laboral dos membros seleccionados para que estes pudessem se fazer presentes.

Por último houve um erro crasso no que concerne a gestão logística, esteve claramente espelhado na planificação e distribuição do material para a materialização do processo eleitoral.

Quanto a impugnação dos resultados das eleições por parte do partido UNITA vejo-me na necessidade de analisar o conceito da palavra impugnar, que é o acto de contestar ou opor-se a uma ideia ou situação de facto, como é caso dos resultados das eleições. Ora a UNITA ao impugnar os resultados das eleições alegando falta de transparência e abrangência no processo, peca por incoerência entre os seus actos e as palavras; Se não vejamos: A UNITA é parte integrante da CNE logo as deliberações dai emanadas têm também o seu cunho de consentimento, assim sendo as dificuldades e resoluções vividas pela CNE foram também vividas pela UNITA.

A UNITA como partido politico deve antes de mais primar pelo povo, o político que se preza exerce a política para o povo não para sí mesmo e obviamente respeitaria o exercício democrático a que nos propusemos. A acção de votação representa e manifestou a opinião de cada eleitor. Discorrer para diversos lados ou por diferentes partes numa desavergonhada tentativa de busca de pragmatismo internacional, espelhando a falta de nacionalismo é covardia política. Não seria peremptório afirmar que a UNITA debate-se com um discurso que não obedeceu criteriosamente as suas condições de produção, incitando no seu seio o crescimento das condições para a propensão de censura oculta.
No entanto mais uma vez afirmo: As eleições em Angola foram livres e justas.