segunda-feira, 30 de junho de 2008

QUANDO FALHAMOS PELA DIMENSÃO DAS PALAVRAS

“ Reflexão baseada na sabedoria de grandes mestres”

Certamente em uma ocasião desta vida intensa, o caro leitor já parou e reflectiu sobre uma determinada situação que envolveu a utilização de palavras não apropriadas a uma determinada vivência; Como se lê num provérbio Chinês há três coisas que nunca voltam atrás: “a flecha lançada, a palavra pronunciada, e a oportunidade perdida” quando assim acontece mergulhamo-nos em análises a nossa própria consciência como se de um livro de moral se trata-se, e nos censuramos por não lhe ter consultado, reflectimos em como o essencial é invisível aos olhos e só se vê bem com o coração; no entanto não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros.

A dimensão das palavras é tida pela sua simplicidade que é também considerada o último degrau da sabedoria, o percalço quando mal dimensionamos as palavras não reside apenas na falta de mérito o facto de termos falhado, mas sim o de termos nos apercebido todas as vezes que falhamos. Quando nos auto questionamos sobre a possibilidade de avaliarmos a dimensão das palavras requer saber até que ponto sabemos sugerir, ai sim… lembramo-nos que esta presente a arte de ensinar. Mas atenção…a dimensão das palavras não podem ser vistas apenas no sentido pejorativo elas são muito mais abrangentes, repara que grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres, o homem medíocre espera tudo dos outros, abstendo-se da humildade que é o sólido fundamento de todas as virtudes, ciente de que ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu carácter pois as palavras são a voz do coração em todas as coisas, o sucesso depende de preparação prévia, devemos procurar acima de tudo que as palavras tenham significado e reflictam o nosso pensamento pois quando as palavras perdem o significado as pessoas perdem sua liberdade, lembra-te que só os grandes sábios e os grandes ignorantes são imutáveis, pensa contigo mesmo em como ver o que é injusto e não agir com justiça é a maior das covardias humanas, o mesmo acontece com a dimensão das palavras que como todas as outras coisas na vida podemos perceber que no mundo estão colocadas em categorias, estas são as formas básicas sob as quais a realidade chega até nós, elas são a divisão máxima da realidade e seriam, equivalentemente, os vários tipos de conceitos possíveis, fragmentado no principal veículo do processo de consciencialização; é o pensamento, na dimensão das palavras a prudência é uma virtude, a virtude pondera que as palavras excedam suas acções.

“O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente”

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O QUE É A CONTRA INFORMAÇÃO


A contra informação é a pratica de contenção da informação, isto é o uso de recursos e tácticas que consistem em produzir barreiras para a inversão no processo de divulgação de informações. A contra informação é tida como uma actividade comunicacional negativa perante ao processo democrático pois viola a ética e a deontologia, é uma actividade complexa e sensivel consubstânciada normalmente pelo segredo.Os factores relativos a actividade da conta informação baseam-se em:

• Ánalise da informação
• Ánalise do público alvo
• O uso de uma fonte crédivel
• A manipulação por meio da apelação do interesse emanado
• Tramento da mensagem com recurso a inversão
• O momento e o contexto a manipular
• O discurso persuasivo

A contra informação existe a mais de 2000 anos atrás, como actividade instituicionalizada dos estados, geralmente sob pretexto de garantir a segurança (interna ou externa) esta actividade anula o raciocinio lógico antecipa os objectivos e geralmente massifica a consciência reunindo os comportamentos em grupos, o seu sentido comunicacional é unidireccional, faz recurso a técnicas de comuicação correntes como a a propaganda que pelo seu modo especifico de apresentar uma informação com objectivo de servir uma agenda. Apesar do termo (propaganda) actualmente fazer eco de uma comunicação enganosa, assim não sucedia no passado. A palavra provém do latim moderno, propaganda quer dizer “para ser espalhado”. Reza a historia que em 1622 isto a quando do inicio da guerra dos trinta anos, o Gregorio XV fundou o “congregatio” propaganda fide (“congregação para a propagação da fé”) um comite de cardeais era orientado para supervisionar a propagação do cristianismo pelos missionarios enviados para fazer o trabalho de contra informação nos paises nao cristãos. No entanto o sentido politico actual data da Primeira Guerra Mundial e, originalmente não era pejorativo mesmo que a mensagem traga informação verdadeira geralmente é um recurso estrátegico para o objectivo da contra informação, pois esta mensagem será aparentemente verdadeira não apresentando um quadro completo e balanceando o objecto em questão.
Seu uso primario advém de contextos politico, referindo-se geralmente aos esforços patrocinados por governos e partidos politicos, uma manipulação semelhante de informações que também associa-se na estrutura da contra informação é a conhecida publicamente por publicidade. Num sentido estrito a contra informação possui como recursos variadas técnicas de comunicação, objectivando-se na guerra psicologica para a solidificar a informação deliberadamente falsa ou incompleta que apoia uma causa politica ou interesses daqueles que estão no poder ou os que querem o poder. A contra informação muda o curso normal da informação manipula as pessoas de formas que entendam as situações contrariamente ao que devia ser politicamente correcto entender, origina outras acções e projecta falsas expectativas para a real direcção antes anseada.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O PAPÉL DO CIDADÃO NA FORMAÇÃO DAS SOCIEDADES

Apresentação
Á abordagem politica espelha quase sempre um grau elevado de complexidade; No entanto politicamente, cidadão é o habitante de um Estado livre, com direitos civis e políticos. A palavra é derivada de cidade-Estado, conceito histórico e político, herdado dos gregos pelas civilizações ocidentais. Na Grécia antiga havia várias cidades independentes, constituídas em Estados autônomos, que assim eram chamados por possuírem liberdade da administração pública e política. Cidadão era o habitante dessas cidades. Segundo o dicionário, cidadão é o habitante da cidade. Entretanto, esta definição não esclarece o conceito político da palavra cidadão. Vale ressaltar que não são apenas os direitos políticos que definem o cidadão, mas os direitos civis e sociais: de forma resumida, podería dizer que os direitos de cidadania reúnem os direitos políticos, civis e sociais e que, a concepção de Direitos Humanos que derivou da criação do Direito Internacional dos Direitos Humanos procura fortalecer e estreitar as relações entre direitos individuais e direitos sociais, de modo a afirmar a indivisibilidade de todos os Direitos Humanos. Este é o entendimento universal do que é ser cidadão, apoiado num conjunto de direitos e deveres que definem a cidadania. Durante explanacão deste trabalho acádemico centrei-me no esclarecimento do conceito de grupo e na razão do saber se uma sociedade é um grupo…
“Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo”; Sócrates.
“O papel do individuo na construção das sociedades”
Introdução
Uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. A sociedade é o objeto de estudo das ciências sociais, especialmente da Sociologia. Também se chama de sociedade ou associação o agrupamento de pessoas para a realização de atividades privadas, sendo reservada à primeira expressão à reunião com fins empresariais e a segunda para o conjunto que visa resultados sociais independentemente de benefícios financeiros, consoante artigos 53 e 981 do Código Civil.
Uma sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.
A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma "associação amistosa com outros". Societas é derivado de socius, que significa "companheiro", e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o

colectivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico.
Pessoas de várias nações unidas por tradições, crenças ou valores políticos e culturais comuns, em certas ocasiões também são chamadas de sociedades (por exemplo, Judaico-Cristã, Oriental, Ocidental etc.). Quando usado nesse contexto, o termo age como meio de comparar duas ou mais "sociedades" cujos membros representativos representam visões de mundo alternativas, competidoras e conflitantes.
Também, alguns grupos aplicam o título "sociedade" a eles mesmos, como a "Sociedade Americana de Matemática". Nos Estados Unidos, isto é mais comum no comércio. Neste tema para uma abordagem mais suscinta vale centralizar-se sobre o conceito de grupos pois um grupo é um sistema de relações sociais, de interações recorrentes entre pessoas. Também pode ser definido como uma coleção de várias pessoas que compartilham certas características, interajam uns com os outros, aceitem direitos e obrigações como sócios do grupo e compartilhem uma identidade comum — para haver um grupo social, é preciso que os indivíduos se percebam de alguma forma afiliados ao grupo. Enquanto um agregado incluir várias pessoas somente, um grupo, em Sociologia, exibe coerência em um grau maior. Aspectos que os sócios no grupo podem compartilhar incluem interesses, valores, raízes étnicas ou linguísticas e parentesco. Já a diferença quanto a sociedade não é apenas quantitativa, ou seja, um grande grupo não é necessariamente uma sociedade; a sociedade deve ter aspectos não-essenciais ao grupo, como uma localização espacial, uma cultura auto-suficiente e um mecanismo de reprodução e renovação dos membros.
Deste modo os grupos submete-se as Redes de comunicação: que são canais e modo como as pessoas se relacionam no interior de um grupo; reproduzem os modelos de transmissão de mensagens que se estabelevem entre os membros do grupo; no entanto não se pode generalizar para todas as situações um determinado tipo de rede: a opção depende do tipo de tarefas e da representação que os membros têm dessas tarefas.

Classificação
Grupos primários consistem em grupos pequenos com relações íntimas; famílias, por exemplo. Podem ser caracterizados por contactos diretos ou indiretos, como corresponder-se com um irmão noutro país via e-mail. Eles geralmente mantêm-se durante anos.
Já os grupos secundários, em contraste com grupos primários, são grupos grandes cujas relações são apenas formais e institucionais. Alguns deles podem durar durante anos mas alguns podem desaparecer depois de uma vida curta. Os termos "grupo primário" e

"grupo secundário" foram criados por Charles Horton Cooley. Qual seria então o papel social dos homens na sociedade? Seria possivel esquematizar um padrão para todos homens?!
Uma classe social é um grupo de pessoas que tem status social similar segundo critérios diversos, especialmente o econômico. Diferencia-se da casta social na medida em que ao membro de uma dada casta, normalmente é impossível mudar de status.
Segundo a ótica marxista, em praticamente toda sociedade, seja ela pré-capitalista ou caracterizada por um capitalismo desenvolvido, existe a classe dominante, que controla direta ou indiretamente o estado, e as classes dominadas por ela, reproduzida inexoravelmente por uma estrutura social implantada pela classe dominante. Segundo a mesma visão de mundo, a história da humanidade é a sucessão das lutas de classes, de forma que sempre que uma classe dominada passa a assumir o papel de classe dominante, surge em seu lugar uma nova classe dominada, e aquela impõe a sua estrutura social mais adequada para a perpetuação da exploração.
Na Idade Média, por exemplo, a classe dominante era formada pelos senhores feudais, donos das terras através da alicação de compulsão e coerção, e a classe dominada era formada pelos camponeses. Uma classe à parte era a classe dos guerreiros que era composta pelos camponeses e alguns eram senhores feudais, que podia passar para uma classe dominante caso recebesse terras como prêmio de suas conquistas. Dá-se o nome de divisão do trabalho à especialização do trabalho cooperativo em tarefas e papéis específicos e delimitados, com o objetivo de aumentar a eficiência da produção. Historicamente, a emergência de uma divisão do trabalho cada vez mais complexa está associada ao aumento do comércio, ao surgimento do capitalismo e à complexidade dos processos de industrialização. Posteriormente, a divisão do trabalho atingiu o nível de uma prática gerencial de bases científicas com os estudos de tempo e movimento associados ao Taylorismo.
Na história da espécie humana, a primeira divisão do trabalho ocorreu entre homens e mulheres, mas tornou-se ainda mais sofisticada com o advento da agricultura e a surgimento da civilização. Alguns outros animais sociais também exibem uma divisão do trabalho.
A divisão do trabalho é uma característica fundamental das sociedades humanas, devida ao fato de que os seres humanos diferem uns dos outros quanto a suas habilidades inatas ou adquiridas. Em um certo estágio do desenvolvimento de suas comunidades, os indivíduos percebem que podem satisfazer melhor as suas necessidades ao se especializar, ao se associar e ao trocar, em vez de produzir, cada um de maneira autárquica, aquilo que precisa consumir.

À semelhança dos indivíduos em sociedade, as diversas sociedades humanas também se especializam. Modernamente, alguns se dedicam a estudar a chamada divisão internacional do trabalho, ocorrida entre países

Segundo Karl Marx, as classes sociais estão associadas à divisão do trabalho. São grupos coletivistas que desempenham o mesmo papel na divisão do trabalho num determinado modo de produção (asiático, feudal, mercantil, industrial, etc). A abordagem do papél do indíviduo na sociedade exige uma analise a classificacao das classes sociais:
A partir da Idade contemporânea, com o desenvolvimento do sistema capitalista industrial (e mesmo do pós-industrial), normalmente existe a noção de que as classes sociais, em diversos países, podem ser dividas em 3 niveis diferentes dentro dos quais há subniveis. Actualmente, a estratificação das classes sociais segue a convenção baixa, média e alta, sendo que os primeiros designam o estrato da população com pouca capacidade financeira, tipicamente com dificuldades económicas, e o último com grande margem financeira; a classe média é, portanto, o estrato considerado mais comum e mais numeroso que, embora não sofra de dificuldades, não vive propriamente com grande margem financeira, nota-se que nos países de terceiro mundo a classe média é uma minoria e a classe baixa é a maioria da população. Desta interpretação é possível encontrar outras classes.
Classe Alta-Alta: indivíduos que se destacam socio-economicamente, normalmente donos de grandes empresas e oriundos de famílias tradicionalmente ricas ("elite").
Classe Alta indivíduos altamente bem pagos ("novos ricos")
Classe Média-Alta: indivíduos com salários médio-altos (médicos, advogados, arquitetos executivos)
Classe Média: Pessoas ganhando salários razoáveis ou medianos, porém inferioes aos dos membros da sub-classe supra-mencionada (professores, funcionarios bancarios, funcionarios de empresas petroliferas , gerentes de lojas, etc)
Classe Média-Baixa: pessoas que recebem salários mais baixos mas não são trabalhadores braçais. (donos de pequenas lojas, policias, secretárias)
Classe Baixa: trabalhadores braçais (serventes, operários, campesinos), também conhecidos como a "classe trabalhadora"


Miseráveis: pessoas desempregadas ou não que vivem em um estado constante e desesperador de pobreza
De acordo com o marxismo clássico, a propriedade dos meios de produção seria a marca distintiva da classe burguesa, o proletariado era a classe que apenas possuia a sua força de trabalho. A assimetria social entre essas duas classes colocava-as em campos opostos, constituindo a luta de classes, o motor da história segundo Karl Marx. O ponto de vista ou perspectiva na teoria cognitiva, é a escolha de um contexto ou referência (ou o resultado desta escolha) de onde se parte o senso, a categorização, a medição ou a codificação de uma experiência, tipicamente pela comparação com outra. Pode-se posteriormente reconhecer diversos significados de diferença sutil, como o ponto de vista, o Weltanschauung, o paradigma.
A idéia básica que une todos estes significados da palavra perspectiva é o de que a experiência humana é relativizada de acordo com o ponto de vista de onde ela é vivenciada.
Costuma-se chamar uma visão de mundo como a perspectiva com a qual um indivíduo, uma comunidade ou uma sociedade enxergam o mundo e seus problemas em um dado momento da história, reunindo em si uma série de valores culturais e o conhecimento acumulado daquele período histórico em questão.
Desde o nascimento ate a morte, o ser humano está marcado e marca uma sociedade. O indivíduo tenta ser aceite pelos outros, ter um grupo com afinidades e padrões de comportamento comuns, ocupar um lugar na sociedade.

O papel do homem na sociedade: consiste na capacidade do homem em se adaptar ao meio, transformando-o que o distingue dos outros animais (capacidade de integração)
Enquanto os animais são dotados de mecanismos biológicos, o ser humano tem de criar condições para se proteger, ex: roupa
É a fraqueza biológica que o obriga a produzir cultura, logo pode-se concluir que tudo o que é cultural não é natural, porque é criado pelo homem, toda a acção concentrada do homem para transformar a natureza; opõe-se a tudo o que é natural; fenómeno universal que se manifesta em todas as sociedades humanas como forma de responder às necessidades dos seres humanos.
Como não há uniformidade na resposta às necessidades dos homens esta varia no tempo e no espaço, isto é, as diferentes culturas reflectem formas especificas como as comunidades humanas, ao longo do tempo e nos diferentes espaços, organizaram a vida social.
Esta diversidade cultural manifesta-se em diferentes padrões culturais à constituem comportamentos padronizados previstos numa determinada sociedade, o que comemos e quando comemos, hábitos de higiene, etc.

Aculturação à designa o processo complexo de contacto cultural através dos quais a sociedade ou grupo social assimila hábitos e valores culturais de outras sociedades/grupos; supõe o contacto entre civilizações, isto é, uma adaptação global de uma população a uma cultura que não é originalmente sua (colonização; emigração)

Socialização à os indivíduos são integrados numa civilização, numa sociedade e esse processo começa quanto nascemos e termina quando morremos, ou seja, estamos sempre em constante socialização com o meio que nos rodeia. É através da socialização que o sujeito apreende e assimila comportamentos, regras, normas, etc.

Há ainda a socialização primária, que ocorre na infância, onde o sujeito aprende um conjunto de comportamentos socialmente aceites e considerados como indispensáveis à vida em sociedade, e a socialização secundária, que compreende o processo de integração do individuo nas situações sociais especificas que vão ocorrendo ao longo da sua vida (saberes especializados), mudar de profissão, quando se tem um filho, quando se casa, etc.

Os agentes da socialização são a família, agente prioritário da socialização, onde ocorre o processo inicial da integração social; as creches/escolas, pois é nesses espaços que a criança exercita comportamentos e hábitos de trabalho. É na escola que são transmitidos conhecimentos científicos e técnicos, veicula as normas sociais, as noções éticas básicas, os ideais da sociedade e permite o confronto de valores com os dos outros estudantes, de modo a afirmarem-se ainda mais ou a alterarem-se. Outro agente de socialização são os grupos de pares, de pessoas de idades aproximada, que se desenvolvem em relações de solidariedade e de cooperação e se adquirem sentimentos de reciprocidade. Na adolescência esse grupo vai ter um papel fundamental no processo de socialização e de construção de identidade social; os meios de comunicação social surgem como agente de socialização porque, por ex. a televisão, mostra filmes onde as atitudes e comportamentos próprios vão ser imitados e produzidos.

Liderança à processo de exercer influência sobre um indivíduo ou grupo, nos esforços para a realização dos objectivos em determinada situação, sendo o líder o elemento que coordena a actividade colectiva para melhor atingir os objectivos definidos, para afirmar o próprio grupo.

Os estilos de liderança são formas de o líder exercer a sua influência de se relacionar com os outros elementos; diferentes estilos de liderança geram diferentes atitudes no interior dos grupos:
Autoritário – toma decisões sem consultar o grupo; determina as tarefas e o modo como se realizam; geração de conflitos, pois não há espaço para iniciativa pessoal, a produtividade é elevada e a satisfação é fraca ou nula
Permissivo – funciona como elemento do grupo, e só intervém quando solicitado; não há capacidade de auto-organização; fraca produtividade assim como satisfação

Democrático – o grupo participa na discussão da programação do trabalho, na divisão de tarefas, sendo as decisões tomadas colectivamente. Tem uma atitude de co-responsabilidade do objectivo; a produtividade é boa, assim como a satisfação e a criatividade, bom como o desenvolvimento da solidariedade entre os participantes.

Grupo organizado em estrela:

Resolvia mais rapidamente os problemas
O número de mensagens era reduzido
Os erros irrelevantes e satisfação baixa
Rede centralizada, em que cada membro só pode comunicar com o líder, que detém e controla toda a informação.
Para problemas de estrutura simples

Grupo organizado em circulo

Gastavam mais tempo a resolver os problemas
O número de mensagens e erros eram maiores
Mas os participantes apresentavam mais satisfação
Rede descentralizada em que os membros podem comunicar livremente entre si
Para problemas de estrutura mais complexa

Grupo organizado em cadeia:

A mensagem corre riscos de se perder
Comunicação mais lenta
Certos membros do grupo não chegam a comunicar
A pior organização em resolução de problemas

Interacção Grupal

Existe somente entre os seres humanos, pois somente as pessoas nos podem responder com sentimentos e compreensão; varia segundo a dimensão do grupo e o número de interacções. O numero de relações entre os elementos de um grupo aumenta muito mais rapidamente que o numero de indivíduos.
Um comportamento de um elemento afecta o comportamento e a acção dos outros componentes do grupo, e vice-versa.

Influência do Grupo

A vida em grupo implica obediência às normas formais e informais. A sua não-aceitação por um elemento, pode conduzir atitudes de repressão e rejeição. Mesmo face a tarefas claras e inequívocas, os indivíduos tendem a conformar-se com a norma do grupo, isto é,

numa pergunta, se os membros A, B e C dão a mesma resposta incorrecta, mesmo que o elemento D saiba que esta está mal, coopera com o grupo e dá a resposta incorrecta.
Daí podem surgir sentimentos de conformismo, isto é, um comportamento de acordo com as expectativas do grupo; efeitos do grupo face às normas, atitudes e opinião; comporta-se em sintonia comas expectativas do grupo, ou de inconformismo, ou seja quando a pessoa, apesar de reconhecer as expectativas do grupo, age de forma oposta, sendo considerado independente; designa a atitude de não seguir o que está socialmente estabelecido, não correspondendo às expectativas dos outros.

Estatutos e papéis sociais

Papel Social à conjunto de comportamentos que o individuo apresenta como membro de uma sociedade; contributo que cada um de nos dá à sociedade; conjunto de comportamentos que os outros esperam de nós.

Estatuto Social à posição que o individuo ocupa na hierarquia social e que lhe confere determinados direitos:
Indivíduo tem tantos estatutos consoante os grupos a que pertence
Conjunto de comportamentos que o individuo espera por parte dos outros tendo em conta a sua posição num grupo.

O estatuo social pode ser:

Adquirido à aquele que a pessoa possui tendo contribuído para a sua obtenção
Atribuído à aquele que o individuo possui sem ter feito nada para o adquirir

Nos diferentes contextos, a pessoa terá que condicionar o seu comportamento aos modelos sociais, as inter-relações variam. Ex. um médico no hospital, um médico na rua.

Conflitos à cada pessoa desempenha vários papeis, o que pode gerar conflitos:

Inter-papeis: a satisfação das expectativas relativas a um papel implica a incapacidade de responder às expectativas dos outros. Ao optar o conflito desaparece. Ex. Um sujeito pode pertencer a um grupo religioso que interdite os seus membros de usar armas, e ser obrigado por lei a incorporar-se no exército.

Descontinuidade de papeis: quando se ocupa uma posição social e por alguma razão tem que se mudar essa posição (emigração)

Intra papel: quando, por exemplo, o encarregado de uma secção de uma fabrica tem de assegurar o nível de produção e ao mesmo tempo proporcionar condições de apreciação do trabalho (conflito dentro do mesmo papel)


Atitudes à são uma tendência para responder a um objecto, pessoa ou situação, de uma forma positiva ou negativa. A atitude implica disposição mais ou menos constante que orienta o indivíduo a reagir de determinado modo a um objecto, pessoa, grupo social, instituição, coisa, valor…
Manifestam-se através de expressões verbais e não-verbais, opiniões, comportamentos, aquisição de determinados objectos, adesão a um grupo politico, religioso, etc.

Componentes das atitudes:

Numa atitude podemos considerar três componentes: a cognitiva, a afectiva e a comportamental - complementam-se e constituem uma atitude.

Cognitiva à uma atitude inclui um conjunto de crenças sobre um objecto; refere-se à informação que aceitamos sobre uma situação, acontecimento, conceito…

Afectiva à ao possuir uma atitude, a pessoa desenvolve sentimentos positivos e negativos relativamente ao objecto

Comportamental à a atitude implica que a pessoa se comporte de determinado modo; é constituído pelo conjunto de reacções de um sujeito relativamente ao objecto da atitude.
Exemplo: crença de que a sida é fatal (componente cognitiva); é assustador contrair sida (componente afectiva); mudança na prevenção das praticas sexuais (componente comportamental)

Formação e desenvolvimento das atitudes
As atitudes não nascem connosco. São adquiridas no processo de integração do indivíduo na sociedade, isto é, são apreendidas pelo meio social. Durante a infância as atitudes são moldadas pelos pais mas à medida que a criança cresce, a influência diminui. Na adolescência assumem grande importância os pares, pessoas de idade aproximada com que os jovens convivem, a escola, pois durante o convívio, socializa-se com outros indivíduos, e os méis de comunicação social, através de filmes, telenovelas, publicidade e informação. As expressões, e gostos são adaptados através de processo de imitação e de identificação.
Será entre o fim da adolescência e os 30 anos que as atitudes formam a sua forma final, sendo menor a possibilidade de mudança.

Mudanças das Atitudes:

A modificação das atitudes depende de novas informações relativas ao objecto: é mais fácil mudar de atitude relativamente a um objecto sobre o qual se tem um sentimento fraco, sendo mais fácil mudar de atitude relativamente a pessoas que não fazem da experiência própria e imediata do sujeito, ex. experiência traumática possibilita a formação e modificação de atitudes, para melhor ou pior.


Medida das Atitudes:

As escalas das atitudes constituem uma das técnicas utilizadas para medir a qualidade/grau de intensidade e a direcção de atitudes.
Escala de Thurstone (em relação à Igreja)
Escala de Lickert (hereditariedade/aptidões/comportamento)


Estereótipos e Preconceitos

Estereotipo à ideias feitas que resultam de generalizações e/ou de especificações, que se tendem a considerar que todos os membros de um agrupamento social se comportam do mesmo modo ou têm as mesmas características (loiras); tem uma forte componente afectiva, o que implica sempre uma atitude favorável ou desfavorável.
Se os grupos tem uma relação de competição entre si o estereotipo é negativo, se for de cooperação é positivo

Preconceito à é um conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou razoável; é um pré julgamento que conduz os sujeitos a avaliar negativamente (conduzem a discriminações) ou positivamente os objectos, pessoas, grupos sociais.
É uma disposição adquirida cujo objectivo é o estabelecimento de uma diferenciação social; pode também surgir para fornecer uma explicação para uma determinada situação social.
Exemplo: quando aumenta o nível de desemprego nos países europeus mais desenvolvidos, aumentam os preconceitos relativamente às minorias imigrantes.

Conclusão
No consenso existem dois meios comuns. Um é um acordo geral entre os membros de um grupo ou comunidade, o outro é como uma teoria e prática de receber tais acordos. Consenso não é um sistema de votação, mas uma forma que todo o grupo ou comunidade entra na tomada de decisão. O voto consiste em estabelecer um ponto que a maioria concorde, como por exemplo na escolha de uma ou mais pessoas para uma determinada posição de "poder" através de uma eleição onde quem obtiver mais votos vence. Ambos fazem parte do processo construtivo da negociação compartilhando a tomada de decisão com todos (100%) os interessados, porém a decisão por consenso tem a tendência de ser mais construtiva, na qual todas as opiniões são ouvidas, ponderadas, e inclusive as minorias ou partes de menor influência no grupo tem voz para renegociar uma determinada decisão, colocando seus pontos de modo a manter a discussão sobre um determinado assunto até que um consenso se estabeleça. O consenso se refere à liberdade

com que uma pessoa trabalha em uma comunidade ou grupo. A ética do trabalho e a ética da aventura, naturalmente, são opostas. Aventureiros e trabalhadores atribuem valores morais distintos a determinadas atitudes tais como a ânsia por resultados imediatos, estabilidade e a realização de proezas audaciosas. Certamente, estas diferenciações são responsáveis por distintas delineações quanto ao comportamento de sociedades que sejam orientadas ou influenciadas por algum destes princípios de forma dominante. A caracterização das sociedades apolíneas protestantes está associada ao princípio trabalhador numa intensidade muito maior que as sociedades dionisíacas católicas, mais relacionadas ao princípio aventureiro. Expondo parca e sumariamente tais noções a respeito de diferenciações relativas ao protestantismo e ao catolicismo e sobre os princípios de trabalho e aventura como elementos capazes de agir de forma a moldar a dinâmica de uma sociedade e os meios que nela actuam através de valores tais como o trabalho e a produção, somos tentados a concluir que sob o protestantismo se construiu um modelo de sociedade onde se valoriza muito mais o trabalho, ao passo em que nas sociedades católicas o valor dado ao trabalho é de uma intensidade muito menor, aliás, o trabalho chega a ser mesmo desvalorizado.
Bento dos Santos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O principio para a independencia de Angola,MPLA,FNLA,UNITA

FNLA
A partir do final da década de 40 surgiram, no norte de Angola, vários movimentos com o objectivo comum de se oporem ao sistema colonial. Tiveram, de início, características messiânicas e base tribal, destacando-se o movimento encabeçado pelo «profeta» Simão Toco, que anunciou o fim da miséria e nova mensagem divina. Embora detido pelas autoridades em 1949, as suas ideias estenderam-se entre os bacongos emigrados no então Congo Belga, que vieram a criar em 1956, a Aliança do Povo Zombo (ALIAZO). Este movimento converteu-se, em 1962, no Partido Democrático de Angola (PDA). Mas foi outro movimento, de características similares, que esteve na base da sublevação da Baixa do Cassange, em Janeiro de 1961. O movimento, que, de alguma forma, colheu de surpresa as autoridades portuguesas, iniciou-se com uma greve dos trabalhadores da Companhia Cotonang, como forma de protesto contra o atraso no pagamento de salários, mas transformou-se rapidamente em protesto da população contra o cultivo obrigatório de algodão e as duras condições de trabalho.Em todo o movimento, desempenhou papel de destaque António Mariano, que pertencia a uma seita católica e cujo o nome ficou ligado à insurreição, conhecida como «Guerra da Maria». os habitantes da região queimaram as sementes, destruíram ou interromperam vias de comunicação, mataram gado, invadiram armazéns e missões católicas, expulsaram os brancos, mas não utilizaram armas. Para reprimir este movimento, as autoridades socorreram-se de unidades do Exército e da Força Aérea presentes em Angola, que atacaram os grevistas de 24 de Janeiro a 2 de Março, transformando a acção num desproporcionado massacre de populações, cujo número de vítimas nunca se conheceu com exactidão. Contudo, a organização que viria a dar consistência ao nacionalismo bacongo foi a União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), criada em Julho de 1954, em Leopoldville, com a finalidade de influenciar a sucessão do rei do Congo, Pedro VII, que morreu nesse ano. A UPNA pretendia que o futuro monarca fosse mais independente das autoridades portuguesas, apresentando como candidato Holden Roberto aparentado com o antigo rei. Entre os seus apoiantes encontravam-se os bacongos angolanos emigrados no Congo Belga e nas missões protestantes, numa das quais ele próprio fora educado. Mas o Governo e a Igreja Católica tinham outro candidato, António da Gama, que tomou o nome de António III. A facção derrotada iniciou, então, uma onda de agitação independentista, que alcançou o seu ponto mais alto ao longo de 1956-57.Mas como neste último ano morreu António III, as autoridades portuguesas preferiram deixar vago o trono, para mitigar o nacionalismo que nova designação poderia provocar.A UPNA tinha como objectivo programático a independência do antigo reino do Congo, em que se incluía Cabinda. Com esta ideia, Holden Roberto foi, em Dezembro de 1958, ao congresso dos povos africanos realizados em Acra. Perante a vitalidade da ideia do pan-africanismo ficou convencido da necessidade de diluir a componente tribal do seu partido, o que o levou a mudar-lhe o nome para UNIÃO DOS POVOS DE ANGOLA (UPA). A partir de então, a UPA transformou-se no movimento nacionalista mais bem organizado e aquele que maiores simpatias congregava. Iniciou então um processo de implantação em áreas de maior dimensão, com o objectivo de se estender a todo o país. Em Luanda, a maior parte dos seus apoiantes, que não podiam deixar de ser clandestinos, como de resto os de todos os outros movimentos, eram protestantes. Mas tinha também a simpatia de destacados católicos, como o Cónego Manuel Mendes das Neves.Nestes meios nacionalistas sentiu-se a necessidade imperiosa de oposição ao sistema colonial, logo a seguir às primeiras independências africanas, mas especialmente a seguir à do Congo Belga, em Julho de 1960. Foi aliás, na sequência deste sentimento, que se planeou o assalto a duas prisões em Luanda: a Casa de Reclusão Militar e o Forte de São Paulo, com o intuito de libertar alguns presos nacionalistas.
De Leopoldville, onde estava exilado, Holden Roberto desaconselhou este projecto, sobretudo porque em Luanda, e torno da UPA, se movimentava apreciável número de mulatos, que não eram da confiança de Holden Roberto. Mas também porque ele desejava iniciar a guerra com uma insurreição de grandes proporções, já em preparação para a zona Bacongo, onde as raízes da UPA eram muito profundas. Contudo, os conspiradores de Luanda não só não detiveram a mobilização, como aceleraram a sua execução, a fim de aproveitar a presença na cidade de dezenas de jornalistas estrangeiros atraídos pelo assalto ao paquete SANTA MARIA, que poderiam vir a sensibilizar o mundo para a situação colonial portuguesa. Entre cerca de uma centena de participantes na acção, o núcleo principal era formado por protestantes ligados à UPA, havendo também estudantes católicos do seminário de São Domingos e alguns simpatizantes do MPLA e de outros grupos, porque o conceito destas militâncias não era então muito rígido.O ataque iniciou-se na noite de 4 de Fevereiro. O balanço oficial de vítimas foi de cerca de 40 assaltantes e de 7 polícias, já que as forças portuguesas, recuperadas da surpresa inicial neutralizaram com facilidade o ataque realizado com «catanas e varapaus». Nos dias seguintes, e em especial no dia do funeral dos polícias mortos, os colonos brancos e as forças militarizadas desencadearam violenta repressão nos bairros negros de Luanda, que durou cerca de um mês. Curioso foi que o MPLA, cuja direcção estava exilada em Conacri, reivindicou a acção, enquanto a UPA se remeteu ao silêncio. O conselho de segurança da ONU foi convocado para apreciar os acontecimentos de 4 de Fevereiro. A UPA, assessorada por conselheiros americanos, pretendeu aproveitar a oportunidade para conseguir as simpatias mundiais para a sua causa, o que levou a preparar uma sublevação geral de grande parte da região norte de Angola, incluindo São Salvador, Uije, Dembos, Luanda e Cuanza Norte. Nesta zona, a partir de 15 de Março, elementos da UPA e os seus seguidores destruíram tudo o que encontraram pela frente: fazendas, postos administrativos, destacamentos policiais; atacaram brancos e negros, crianças e mulheres, numa onda nunca vista de chacinas e assassínios.As vítimas cifraram-se em cerca de 1.000 brancos e de 6.000 negros. Esta actuação da UPA não só contribuiu para um profundo movimento de revolta dos colonos brancos, como deu ao Governo Português o argumento final de que necessitava para envolver o país numa guerra sem quartel contra qualquer movimento ou expressão nacionalista. Demonstrou também a ausência, no seio da UPA, de qualquer ideologia moderna, evidenciando-se a sua natureza tribal. De facto, os bacongos não conseguiram, nem sequer tentaram, o apoio, ou ao menos a neutralidade, dos trabalhadores negros contratados das fazendas do Norte, fundamentalmente constituídos por ovimbundos e ganguelas provenientes do Centro de Angola.À dureza e barbaridade tribal, as forças portuguesas responderam implacavelmente. Em 9 de Agosto, o exército entrava em Nambuagongo, proclamada antes a capital dos revoltosos. Antes do fim do ano, incompreensivelmente, alguns responsáveis portugueses davam as hostilidades por terminadas.Em conclusão, a UPA, ao ser a primeira organização a iniciar as hostilidades em grande escala, mobilizando milhares de seguidores, acabou por conseguir grande apoio internacional, desde os Estados Unidos até vários países africanos. Para corrigir a sua conotação tribal, a UPA transformou-se em Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em Março de 1962, integrando o PDA. Pouco depois constituiu o Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), que no fim de 1963, tinha sido reconhecido pela OUA e por 32 países africanos


MPLA

Ao mesmo tempo que surgiam os movimentos messiânicos e tribalistas do Norte de Angola, constituíram-se em Luanda várias organizações políticas clandestinas, de forma geral por iniciativa de angolanos que tinham acedido ao estatuto de assimilados. O primeiro foi o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUA) em 1953, seguindo-se-lhe o Partido Comunista de Angola (PCA), em 1955. Estes dois grupos acabaram por se fundir, em Dezembro de 1956, dando lugar ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Em 1958, surgiu o Movimento para a Independência Nacional de Angola (MINA). Que também se integrou no MPLA.O MPLA foi desde o primeiro momento, uma organização nacional, e ainda que a sua principal base da apoio tenha sido a etnia umbundo, que se estendia de Luanda a Malanje, contou sempre com apoios noutros grupos tribais.Aglutinou, além disso, elementos da pequena burguesia negra e mestiça e dos sectores operários. Contrariamente à FNLA, tinha uma ideologia mais definida e, com o tempo, evidenciou-se a sua raiz marxista. O crescimento do MPLA foi lento, ainda mais quando, em Março de 1959 e Junho de 1960, ficou praticamente decapitado pela prisão de muitos dos seus escassos quadros no chamado «processo dos 50». Neste processo foram incriminados 57 nacionalistas, alguns à revelia, dos quais 20 por pertencerem ao MPLA, destacando-se nestes o padre Joaquim Pinto de Andrade e Agostinho Neto. Nessa altura, a cúpula dirigente ficou constituída por Mário de Andrade, como presidente, e Viriato da Cruz, como secretário-geral, os quais, em face da situação, decidiram transferir a direcção do movimento de Luanda para Conacri, donde viriam a reivindicar a acção do 4 de Fevereiro, num desejo de demonstrar, tanto para fora como para o interior do movimento, que a luta devia continuar.Em Outubro de 1961, após a independência do ex-Congo Belga, o MPLA transferiu as suas estruturas para Leopoldville, por estar mais próximo de Angola. Politicamente, o partido tentou a aproximação à UPA, por esta ser, então, a força nacionalista hegemónica.Esta estratégia veio, contudo, a falhar inteiramente, em especial porque a UPA se transformou em FNLA no início de 1962, e porque este partido constituiu o GRAE, acções que consolidaram a imagem de Holden Roberto e impuseram a sua política como a única via independentista de Angola. O MPLA atravessou um período de marasmo e contradições, nunca se conseguindo libertar da condição de partido de muitos generais e poucos soldados.A situação em Leopoldville veio a agravar-se com a chegada de Agostinho Neto, em Julho de 1962, que havia fugido de Portugal. Já nomeado presidente honorário do MPLA, depois da sua detenção em Junho de 1960, chegou disposto a integrar-se na cúpula do partido, mas as suas ideias «presidencialistas» acabaram por se chocar com a direcção, o que viria a provocar a demissão de Mário de Andrade. Em Dezembro de 1962, com o intuito de ultrapassar as suas divisões internas, o movimento realizou uma conferência, mas esta não só não conseguiu a unidade, como agravou as divergências, de resto em consonância com os fracassos do movimento no terreno, incapaz de penetrar solidamente em Angola.Em Julho de 1963, a OUA criou uma comissão de reconciliação com a missão de aproximar o FNLA ao MPLA, mas acabaria ela própria por propor aos membros da OUA o reconhecimento do GRAE como a única organização representativa angolana, em face das divisões do MPLA. Neto e os seus seguidores culparam, por esta resolução da OUA, o trabalho fraccionário de Viriato da Cruz e do sector minoritário do movimento, que, aliás, tinha já sido expulso. Mas como um mal nunca vem só, Agostinho Neto, que tinha encabeçado a direcção com a promessa de incrementar a luta armada, acabou por não conseguir, tanto pela política de obstrução da FNLA, como por acção do Governo de Lisboa. Holden Roberto não queria competidores em solo bacongo, para além de se apresentar com o exclusivo da luta anticolonial, pelo que era essencial impedir a penetração do MPLA pela fronteira norte. Portugal, por seu lado, conseguiu de alguma forma comprometer o Governo Congolês na neutralização do MPLA, com a ameaça, sempre em jogo, do corte de saída do cobre pelo caminho de ferro de Benguela.Por estas e outras razões, o MPLA acabou por ser expulso do Congo-Brazzaville, onde, desde Agosto de 1963, se havia instalado um governo marxista, mais próximo do seu ideário. A partir daqui, o movimento podia aceder, com facilidade, à fronteira de Cabinda, onde se iniciou a sua actividade militar no ano seguinte.

UNITA

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) foi formalmente criada em Março de 1966, no interesse de Angola, no lugar de Tchocué do Mungai, distrito do Moxico, mas a data de criação do terceiro movimento de libertação de Angola é menos importante do que a evolução política do seu inspirador e principal dirigente, Jonas Malheiro Savimbi.
Savimbi, filho de pastor protestante, recebeu a educação primária em várias missões evangélicas e, apesar de posteriormente ter frequentado colégios católicos, cedo revelou ideias anti colonialistas, o que lhe permitiu, nos anos que passou como estudante em Lisboa ( 1958-1960), contactar com a UPA através da rede que as organizações protestantes tinham em Portugal, e que se encarregava de tirar do país os africanos que quisessem aderir a FNLA, partido que era então o mais representativo de Angola.
Exilado em Paris, Savimbi trabalhou para a FNLA, de que chegou a ser secretário-geral em 1961. No ano seguinte, quando se constituiu o GRAE, foi nomeado ministro dos negócios estrangeiros, mas em Julho de 1964 abandonou o cargo e o partido, por divergências com Holden Roberto. Tem-se referido, embora sem provas concludentes, que nesta época Savimbi terá tentado aproximar-se do MPLA, embora certo que, ao longo dos anos, sempre orientou a sua acção no sentido de dispor de uma força própria de que fosse o incontestado dirigente.
A UNITA viria a iniciar a sua actividade no interior de Angola, no distrito de Moxico, contando com apoios da população ovimbundo, que representa cerca de 40% da população de Angola. Embora estabelecendo cumplicidades com agentes do planalto, não conseguiu montar aí a guerrilha, nem tão-pouco viria a implantar-se nos meios urbanos. Embora o número dos seus quadros fosse sempre muito reduzido, conseguiu alguma audiência a nível externo, em especial da China e do Egipto. Teve também alguns apoios por parte da Zâmbia, mas nunca conseguiu construir uma retaguarda firme, como foi a do PAIGC em Conacri, ou da FRELIMO, na Tanzânia. A UNITA realizou a primeira acção armada em Setembro de 1966, em Lucusse e Calunga, prosseguindo com um ataque a Teixeira de Sousa, no natal do mesmo ano.
Em Março de 1967, atacou a linha de caminho de ferro de Benguela, importante para as Forças Armadas Portuguesas, mas fundamental também para o trânsito de mercadorias da Zâmbia. O incidente acabou por se traduzir em crescentes dificuldades de utilização, por parte da UNITA, do território zambiano, facto que, contudo, não impediu que a guerrilha penetrasse no distrito do Bié e que fossem realizadas acções na estrada Luso - Gago Coutinho e ao sul de Gago Coutinho, entre as suas bases e a fronteira.
A UNITA surge, assim, como opositora do MPLA pelo controlo do Leste do território angolano, o que se traduziu em sucessivos confrontos entre os dois movimentos. Foi então que surgiu a oportunidade de entendimentos com as autoridades militares Portuguesas, com base no combate contra o MPLA, que estava então empenhado em alargar a sua acção militar na zona, onde actuava desde 1966. Até 1970, não tinha sido possível ao Exército Português responder com eficácia ao alastramento da guerrilha no leste de Angola. O MPLA havia chegado ao planalto do Bié, planeando penetrar até ao mar, para dividir Angola em duas metades, e é então que o comando militar Português procura uma solução para toda a zona leste, o que vem a incluir um acordo de cessar-fogo com a UNITA, concretizado em 1972. Este acordo assegurava a Savimbi a utilização de extensa área nos rios Lungué-Bungo, ao sul do caminho de ferro de Benguela, zona onde o exército Português não entraria, a troco do combate que ele deveria fazer ao MPLA e do fornecimento de informações militares; as autoridades portuguesas comprometiam-se também a fornecer alguma logística e material. Os contactos com o exército português estabeleceram-se por intermédio dos madeireiros portugueses que trabalhavam na área de refúgio da UNITA e nas florestas do Moxico, pelo que as diligências efectuadas ficaram conhecidas pelo nome de código de Operação Madeira. Estes acordos mantiveram-se até 1973, quando Costa Gomes e o seu comandante da zona leste, Bettencourt Rodrigues, deixaram Angola.
Os seus substitutos iniciaram, em Setembro de 1973, um ataque às posições de Savimbi, por dois motivos: porque o entendimento dos novos comandantes não se conformava com a situação criada e porque a UNITA, uma vez diminuída a acção dos grupos rivais, queria estender a sua zona de acção ao planalto central. Contudo, em Fevereiro de 1974, os militares portugueses e os guerrilheiros da UNITA iniciaram novos contactos para repor a situação existente anteriormente, embora, quando se deu o 25 de Abril, não se tivesse chegado formalmente ao restabelecimento do cessar-fogo. A correspondência entre Savimbi e as autoridades portuguesas viria a ser publicada na revista AFRIQUE-ASIE, com o título de «la longue trahision de l' unita», no n.º61, de 3 de Julho de 1974, em artigo anónimo, mas da autoria de Aquino de Bragança.


terça-feira, 6 de novembro de 2007

Conversas de Taxi (cronica)



Conversas de táxi 1.
Quando se almeja sucesso devemos ser os melhores ou os piores.”
(o autor)
Após a labuta, o regresso a casa era um exercício que requeria todo um esforço mental, físico e ate mesmo…Sair do escritório, enfrentar o engarrafamento mesmo andando a pé, vencer as armadilhas dos bandidos auto denominados “Sckuads” era um sacrifício diário. Enquanto labutava deambular pela vasta Luanda onde se observava o relaxamento dos governantes espelhado no rosto da população que clama o fim imediato das carências sociais, o povo que de tanto sofrer já inventou, a ciência da sobrevivência, este povo que ouve falar de desenvolvimento mas sentir seus efeitos…No kadingue! E como se diz num provérbio popular “um mal não vem só”, S. Pedro no pretexto da sua amiga Antártida estar em dieta passou a descongelar a banha, mandando sua gordura para atmosfera, e vem nos obrigar a orar cada um da sua forma, não importa como, com o cu no ar, com kalundus, tudo vale pois o objectivo e único bumbar um esquema para acalentar sua ira para que não abra mais as torneiras, afinal cá em baixo tudo esta mal, tudo esta desenvolvido. Olha que em dados estatísticos do desenvolvimento dos buracos o canteiro Luanda perfaz dez para cada luandense, para fazer o que bem quiser, quem sabe, e porque não aceitar a sugestão e transformar o lá num “cantinho de obras”…
Olhei com sensatez para o céu, este deslumbrava um semblante traiçoeiro como o do seu primo tempo que não e uniforme com as realizações e simplesmente ingrato. Tinha de apanhar o táxi era a hora, tinha de aproveitar a ocasião afinal neste andar um gajo lembra-se que estes madies que basta receber Jipe já não pensa no povo pois deixa de ser povo e passa ser boss e parece que boss não vê, ate porque na trajectoria Congolenses-Viana dava para meter chata a fazer a linha Fermat Estalagem afinal a lagoa ai adjacente já não fornece só mosquito, também já da peixinho, e outro dia já vi-mos lá um jacarezinho mais não mete medo ainda.

Surgiu um Hiace(taxi, candongueiro), estava quase lotado mas ainda havia um lugar não era preciso emagrecer, assim com alguns bilos consegui subir e no interior da viatura pude ver que não era o único, alguns compatriotas mesmo sob stress procuravam o vencer com acalmia, uns procuravam se fazer ouvir pelo diálogo quando alguém se compadece-se ou simplesmente se fazer ouvir com cenas eloquentes, elucidativas, merecedoras do mérito da escrita.
-Pois, e aqui onde havia o cemitério! Exclamou o meu companheiro de viagem apontando para um terreno baldio a nossa direita. O mesmo prossegui na retórica:
-E, o governo destruiu este cemitério porque estava anexo as zonas residenciais e assim não cumpria com os padrões básicos de saneamento; ate ai tudo bem mas construir aí uma escola quero ver! Duvido que consigam o local esta assombrado; A Sr.ª Augusta famosa na sua mania de criar novos mercados tentou, começou por vender refeições, só que bastava o pitéu estar pronto e ela passava ouvir vozes e como nada o pitéu sumia e os pratos ficavam sujos mesmo sem a presença de clientes. Ela teimosa insistiu durante uma semana, fugiu mesmo quando a botija e o fogão lhe disseram que estavam fartos de permanecer naquele local.
-Surpreendentemente o motorista faz uma travagem brusca, anunciando de seguida o fim do percurso, numa atitude arrogante:
-Descem! No mercado não chego estão lá os malaiques, vão a butter …
-O pessoal, ­assim como eu, reclamava mas de nada valia. A estratégia do cobrador foi mais eficaz já tinha facturado antecipadamente, ainda pensei, como foi tudo premeditado. Apesar disto sentia-me com outra disposição, esbocei um sorriso olhei adiante fiz uma análise da distância que calculei cerca de três km de caminhada. Reflecti:
Conversas de táxi…

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A politica como campo de consenso

Agradeço a tua visita e comentários.
O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, colectividade e outras definições referentes à vida urbana. O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía) .
O homem é um animal político.Em seis acepções, senão mais, é entendido e empregado o termo política. No uso trivial, vago e às vezes um tanto pejorativo, política, como substantivo ou adjectivo, compreende as acções, comportamentos, intuitos, manobras, entendimentos e desentendimentos dos homens (os políticos) para conquistar o poder, ou uma parcela dele, ou um lugar nele: eleições, campanhas eleitorais, comícios, lutas de partidos etc.;
Em seis acepções, senão mais, é entendido e empregado o termo política. No uso trivial, vago e às vezes um tanto pejorativo, política, como substantivo ou adjectivo, compreende as acções, comportamentos, intuitos, manobras, entendimentos e desentendimentos dos homens (os políticos) para conquistar o poder, ou uma parcela dele, ou um lugar nele: eleições, campanhas eleitorais, comícios, lutas de partidos etc.; Política denomina-se a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café etc.; A politica como campo de consenso vai espelhar-se na discussão de estratégias que visam o cumprimento dos objectivos delineados de forma horizontal e centraliza o sector publico no impacto das accoes por meio da implementação de programas efectivos e praticas de gestão concebíveis.Cabe aos políticos a responsabilidade de decidir em fórum próprio as prioridades da sociedade, como campo de consenso não se compadece com a corrupção política significa o uso ilegal - por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados - do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objectivo de transferir renda pública ou privada de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum – como, por exemplo, negócios, localidade de moradia, etnia ou de fé religiosa.Em toda as sociedades humanas existem pessoas que agem segundo as leis e normas reconhecidas como legais do ponto de vista constitucional.

No entanto, também existem pessoas que não reconhecem e desrespeitam essas leis e normas para obter benefício pessoal. Essas pessoas são conhecidas sob o nome comum de criminosos. No crime de corrupção política, os criminosos – ao invés de assassinatos, roubos e furtos - utilizam posições de poder estabelecidas no jogo político normal da sociedade para realizar actos ilegais contra a sociedade como um todo. O uso de um cargo para estes fins é também conhecido como tráfico de influência.
A corrupção ocorre não só através de crimes subsidiários como, por exemplo, os crimes de suborno (para o acesso ilegal ao dinheiro cobrado como impostos, taxas e tributos) e do nepotismo (nomeação de parentes e amigos aos cargos de administração pública). O ato de um político se beneficiar de fundos públicos de uma maneira outra que a não prescrita em lei – isto é, através de seus salários - também é corrupção.
Todos os governos são afectados por crimes de corrupção, desde uma simples obtenção e doação de favores como acesso privilegiado a bens ou serviços públicos em troca de amizade até o pagamento superfaturado de obras e serviços públicos para empresas privadas em troca do retorno de um percentual do pagamento para o governante ou para o funcionário público (seja ele ou não seja ele uma figura preposta do governante) que determina o pagamento, aborda o poder gerado numa sociedade politicamente organizada e estruturada, quando exercido como coação, assim a democracia institucional(ponte para obtenção do consenso politico) é uma linha da ciência política que se opõe parcialmente à participativa por defender que é praticamente impossível nos dias actuais que todos os cidadãos possam participar activamente do jogo político.

O consenso politico pode ser de cariz interno e externo, o consenso politico vai se caracterizar no entendimento na concepção da ética, moral, da capacidade de dedução que determina o objectivismo do politico Qualidade atribuída a acções e obras humanas que lhes confere um carácter moral para que se beneficia e auxilia o progresso do homem do ponto de vista moral e social.