terça-feira, 3 de outubro de 2017

AGORA ESTAMOS ASSIM…SÓ SE OLHAMOS NOS OLHOS

Por: Bento dos Santos

Nos últimos tempos tem sido assim. Depois de alguns entre muitos terem feito uso dos seus direitos e deveres, exercendo assim a cidadania votando, começa-se a se sentir o retorno sobre as primeiras acções formais do recém eleito e investido, o Sr. Presidente da República, João Lourenço.

As reacções que parecem ser as mais notórias, são as partilhadas nas redes sociais, isto para quem é cidadão virtual; isto para quem interage e faz uso destes meios tecnológicos. As razões de tal presunção, aliam-se ao facto das redes sociais facilitarem o utópico espaço da real liberdade para qualquer manifesto de opinião.

Assim sendo, as redes sociais são encontradas como um recurso para se fazerem ouvir, e temos que ter em atenção que quanto menos espaços houverem para as pessoas se fazerem ouvir, maior será a busca pelos espaços alternativos, no caso, maior será o uso das redes sociais.

As referidas alusões podem ser sustentadas pelo facto de muitas mensagens partilhadas nas redes sociais terem sido partilhadas sem constar a identidade do emissor; muitas informações tem vindo a circular nas redes sociais, como manifesto público das reacções as primeiras acções do actual governo.

E assim tem sido; os olhos dos outros tem visto e analisado as acções, e tudo porque também tem o direito de emitir as suas opiniões; assim tem sido porque dos seus olhos vêm os nossos olhos. E pelo que parece a maior parte das opiniões circulantes, vêm carregadas de um certo péssimismo; podemos também dizer que muitas das informações circulantes estão carregadas de cepticismo!

Na realidade, talvez não podia ser diferente, isto porque as mudanças, geralmente requerem espaço e tempo, para as adaptações, e agravam estes requisitos quando são avaliadas por pessoas que já transportam experiências menos boas nas suas memórias, que acaba por os tornar mais cautelosos, jogando no seguro, e muitas vezes fazendo recurso ao adágio  popular: - “É preciso ver para crer”!

E assim tem sido. Foram nomeados os membros do governo, que ainda não sabemos se voltará a designação de “executivo” ou se nos manteremos no uso da tradicional designação de “governo” a verdade é que dos olhos dos outros, para os nossos olhos, muitos dos nomeados depois da tomada de posse, começaram as suas actividades já enfrentando as câmaras dos nossos meios de comunicação social, e entre o reforço e a renovação das “promessas” uns tantos já deixaram escapar que ainda estão muito longe do que se lhes espera; resumindo, não disseram nada de novo  em relação as grandes expectativas suscitadas.

E como agora está em voga 《nós dos muitos》podermos gingar a fezada que nos deram, para também podermos falar mesmo, assim mesmo sem papás na língua, por formas a participarmos na busca do “melhorar o que está bem e na ânsia de corrigir o que está mal” e aproveitando a raiva de muitos que não foram nomeados, e tantos outros que nos encontraram aqui na bancada, onde só olhamos, agora estamos todos assim; cada um a olhar nos olhos do outro!

E como mágica, agora cada um tem muito a dizer, já uns tantos, ainda agora já têm saudades do protocolo do então, Camarada Presidente; outros tantos, ensaiam ainda os seus olhos, para verem bem como vão dizer, o que vão dizer, onde vão dizer, porquê vão dizer, isto para virem a ser aceites; pois como se diz, “a esperança é a última a morrer” e na realidade, ainda faltam cargos para serem ocupados, e a ideia dos olhos dos outros é verem tudo mexido, tudo trocado, afinal para muitos tudo estava mal…hoje já... só porque lhes exoneraram, agora também já são nossos colegas e dizem serem nossos amigos, assim mesmo de se olhar nos olhos!

Mas nós estamos aqui; assim mesmo como antes; recebendo todos. A nossa filosofia é como a dos campos santos. Todos podem vir, o buraco é igual, com urna, sem urna, tendo sido rico, pobre, Doutor ou analfabeto, aqui todos são importantes; aqui todos são iguais; aqui todos nos olhamos nos olhos!

E nós continuamos aqui; na bancada; só a olhar com os nossos olhos; até o meu camba Finesto que se contentava com tudo, já se fartou e perguntou: - “Epá! Mas quando é que estes camaradas vão parar de fazer promessas e passarem a fazer?”

Eu e os outros novos inquilinos daqui da bancada, não lhe dissemos nada. Aliás… acho que lhe respondemos sim; porque só lhe olhamos nos olhos, e ele ficou assustado e nos disse: - Xé! Só os vossos olhos, nos olhos dos outros!

E mais nada pá!

domingo, 1 de outubro de 2017

A HORA DO JORNALISMO FACTUAL

Por: Bento dos Santos

Na passada quinta-feira (29/09/017) foi divulgada a composição e as respectivas nomeações dos membros do governo que passam a exercer as funções ministeriais e governamentais do novo executivo da nossa terceira República.

Deixando para segundo plano os “blá, blá, blá” que todos nós já sabemos, isto é que o actual governo é resultado do último pleito eleitoral de 23 Agosto, vamos ao que o presente texto se propõe a nos apresentar para reflexão, levando em consideração o facto que as pessoas não gostam muito de ler. E uma vez não serem amantes da leitura, é desnecessário dizer que não gostam de textos《massudos》ou melhor textos com uma vasta extensão de conteúdo.

Voltando a cerne da questão, uma vez nomeados e empossadas as novas “figuras públicas” muitas das quais o são “apenas por inerência de funções” temos a destacar a orientação do Sr. Presidente, General João Lourenço que após a sua investidura, isto durante a sua primeira alocução discursiva como o terceiro Presidente da República de Angola, destacou a necessidade de termos uma comunicação social mais plural e factual, o que pode-se entender que os meios de comunicação social não tem vindo a implementar um modelo de jornalismo democrático. É verdade, parece ser muito severa está interpretação mais muitos sabemos que é a mais realista.

E como podemos entender esta questão…

Primeiro podemos sustentar que esta interpretação é fundamentada por factos, se nos propusermos em analisar as pautas informativas dos meios de comunicação social.

Muitos são os espectadores ou ouvintes que sentados a ouvirem ou ao verem os programas emitidos pelos meios de comunicação social, percebem que a maior parte das grelhas de informações são baseadas no modelo do jornalismo de desenvolvimento onde a prática da actividade jornalística é fundamentada nas políticas definidas pelo estado consubstanciada a busca da superação dos problemas sociais como a fome, a pobreza, o combate ao analfabetismo etc. É um modelo adoptado maioritariamente pelos países que foram colonizados e promove a censura jornalística. O excesso do uso do modelo de jornalismo  desenvolvimento nas agendas dos meios de comunicação social, tem feito com que o jornalismo factual perca a relevância. É preciso ter em atenção que o modelo do jornalismo democrático é o que devia constar como o principal modelo da acção jornalística, tendo em conta que este modelo é caracterizado apenas pelo respeito da Lei, da ética e da deontologia jornalística; o que infelizmente não tem acontecido na nossa esfera pública, pois tal presunção fica para segundo plano, e assim temos assistido inúmeras grelhas de programação que priorizam o entretenimento, e os programas de opiniões sem sustentabilidade factual, manipulando a formação da opinião pública para uma imagem irreal e muitas vezes distinta dos factos que ocorrem no contexto social.

Não estamos a dizer que o jornalismo de opinião é um modelo que deve ser banido. Longe de nós meros pesquisadores fazer tal alusão. O que estamos a dizer, é que as opiniões deviam ser resultantes dos factos, logo a produção jornalística devia ser baseada primariamente nos factos, aliás é o que apreendemos ao estudar os massudos manuais das teorias da comunicação.

Pois então; como muitos de nós somos teimosos, e porque muitos são os que buscam recompensas em detrimento do seu valor profissional, foi preciso que o Presidente da República nos passasse um cartão amarelo, chamando-nos atenção para fazermos bem o nosso trabalho, quando na verdade os especialistas somos nós, e devíamos ser nós os primeiros a mostrar como é o nosso trabalho…“ pois então, fica claro nós demos bandeira”…

Entretanto, como se tem ventilado nos adágios populares, mas vale tarde do nunca, temos um novo executivo, novas políticas que se esperam ir de encontro com as perspectivas e as necessidades da população. E neste particular o novo ministro da Comunicação Social, Dr. João Melo tem o desafio de “olear” e refinar o novo rumo que a Comunicação Social pública pode ter.

É preciso retermos no nosso pensamento, que os meios de Comunicação Públicos e Privados exercem entre eles papéis directos e indirectos no jogo de influência de desempenho na esfera pública. Entenda-se por isso, que as palavras do Senhor Presidente não se limitam apenas para os meios de Comunicação Social Públicos, mas denota-se que tal referência é extensiva e abrange também os meios de Comunicação Social Privados.

E afirmamos com argumentos de razão, quem quiser arriscar-se a falhar, que pense o contrário. Por conseguinte, os profissionais da Comunicação Social tem assim criado um ambiente propício para pararem de “reclamar atrás da porta” e poderem fazer o trabalho de forma diferente e profissional, primando por um jornalismo isento, factual, responsável e actuante.

Não vamos aqui procurar dar aulas de jornalismo, para tal existem instituições para os referidos fins. Mas também não podemos deixar de revelar, que o Sr. Presidente, General João Lourenço quando fez a referência aos meios de Comunicação Social, no que concerne as suas expectativas, acabou por dar uma grande ajuda ao sector, pois não é segredo que muitos destes órgãos se encontram a vivenciar uma crise grave de credibilidade, e muitos deles já não são tidos como os mais confiáveis no que concerne a busca da informação. Para ajudar a reflexão sobre estas afirmações, basta-nos analisar a acentuada proliferação de informações infundadas e consumida massivamente nas redes sociais. Tal acontece porque muitos factos que ocorrem no meio social e que deviam ser classificados com valor-notícia, acabam por serem ignorados, sendo apenas validados no espaço periférico dos sistemas convencionais dos meios de Comunicação Social.

Esperamos que com este cenário criado, venhamos a ter um jornalismo mais factual, onde por exemplo o repórter informa a opinião pública sobre a real falta de água que vivemos diariamente e que não se limitem a ouvir o parecer da Epal.

Assim, esperamos que muitos jornalistas que até onde sabemos também vivem as mesmas dificuldades que nós, façam as suas matérias com factos, como por exemplo, reportarem que estamos sem energia a mais de X dias sem terem que nos impingir o ponto de vista da falta da subida do caudal de água. Esperamos que os jornalistas reportem que temos mais bandidos lá no bairro que os polícias da esquadra, e que os bandidos parecem estar mais motivados, pois são mais pontuais e não falham, como acontece infelizmente com os nossos polícias que parecem ter medo da escuridão; e reportem os factos sem medo de serem presos na via; se necessário paguem as taxas de circulação e tratem toda documentação para evitarem viver da troca de favores e assim possamos ser todos bons profissionais. Deixem que a polícia se preocupe com a gestão da sua própria imagem.

Assim esperamos que àquelas pessoas mais preocupadas e preocupados em serem filmados pela televisão para serem apresentados no telejornal com a esperança de virem a ser ainda mais promovidos pela incompetência do que pela competência.

Esperamos que com o surgimento da hora do jornalismo mais factual, todos possam vir a se beneficiar do trabalho jornalístico isento e responsável, pois os meios de Comunicação Social também tem a função de fiscalizadores das acções do estado, porquanto são os meios que possibilitam a formação da opinião pública (ler o livro Comunicação e Opinião Pública).

Estamos todos assim; todos mais para assim, de uma comunicação mais factual.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O PRESIDENTE DOS OUTROS FOI BAIRRISTA?

Por: Bento dos Santos

Quando o meu camarada olhou para mim, e disse-me: "-para de procurar adjectivos que embelezam isto... isto é bairrismo!"

Eu cheguei a ficar perplexo!

Vindo dele, um colega e amigo, tarimbado pelo carisma de ter sido apelidado de não ter papás na língua, podia se pensar que era mais um aforismo linguístico, então promovido pelo meu ilustre amigo Nkuvo. Mas não era bem assim!

Quer dizer; até era um aforismo, mas não se tratava simplesmente de um aforismo como tal, pois a palavra não se limitava a designar um pensamento moral. Era um pouco mais, era sim a enunciação de um novo paradigma, era a enunciação de um novo conceito assente numa nova forma, que algumas pessoas assumiram, perante a determinadas situações da vida cotidiana.

Sabemos que apesar das imensas acepções que podem derivar de uma mesma palavra, no que concerte ao comportamento das pessoas, temos que ter em atenção, que uma postura nem sempre pode ser confundida com o carácter de uma pessoa.

Pelo mundo, já foram e tem sido muitos os casos de pessoas notórias, como por exemplo as inúmeras situações protagonizadas pelo ex-presidente norte americano, Barack Obama, ou mesmo pelo Papa Francisco, e mais recentemente, cá no nosso país pelo Presidente Português, onde vimos figuras públicas a assumirem publicamente, posturas pouco comuns, que podiam ser mesmo classificadas como "inaceitáveis" para aqueles mais conservadores quanto identificam a falta da observância das regras protocolares, instituídas para regulamentar a gestão da imagem de determinadas figuras públicas.

É claro que este é um assunto polêmico, e não cabe a nós reprimir, tão-pouco temos capacidade de esgota-lo.

Porém, por ser um assunto, cuja dimensão e interesse se assiste para todos, nos importa sim, buscar decifrar as ilações que se podem aplicar na leitura semiótica dos tempos, onde se assiste a vontade dos políticos, e também dos demais interessados em acções mobilizadoras, que devem olhar para os sinais do tempo, e não se deixarem levar por aparências, pois no fim somos todos cidadãos do mundo, e nem sempre a nossa interpretação é a mais acertada para entender determinadas situações que vão ocorrendo nas nossas vidas.

Atente que, se por um lado se diz que o "bairrista" é uma pessoa desprovida de princípios éticos, cívicos e morais, e pode ser comparado a “um marinheiro bêbado”- que distribui o peixe para população a sua sorte, por outro, talvez melhor, se assiste a necessidade que as figuras públicas caracterizadas como pessoas simples, talvez sejam "populistas" um novo conceito em ascensão no contexto político, mas que não se apregoa a enunciação do tema deste texto.

Se hoje assistimos alguns "delírios" de satisfação pelo facto de vermos um presidente como foi caso do presidente português Dr. Marcelo Rebelo de Sousa a descortinar o seu protocolo, e a atender os anseios da população angolana, em assumir uma postura comum na convivência com os cidadãos angolanos, fica-se por se saber, como seria se tais acções fossem regulares, ou até onde iria a normalidade da convivência com os demais.

Em momento nenhum queremos dizer que o presidente vulgarizou a imagem presidencial, longe de nós tal pensamento, até porque para nós, é sempre melhor quando os políticos fazem política com o povo e para o povo. Mas a nossa profissão, não nos permite deixar de analisar também, o outro lado da moeda, onde se busca entender a permanente necessidade que os políticos têm de fazer política, produzindo factos políticos, que acabam por mobilizar os meios de comunicação social, e por esta via estratégica massificar a projecção de uma determinada imagem na esfera pública.

Se perguntar-mos como eram vistas as acções do actual Presidente Português, antes de ser o Presidente que é, certamente a memória teria que rebuscar na investigação, se houve casos similares que mereceram a cobertura da mídia.
Que fique assim expressa a nossa opinião. Foi bom ter visto o Presidente Português a comportar-se como pessoa comum que todos no fundo somos, foi bom olhar e saber que houve interacção do Presidente Português com muitos dos nossos concidadãos.

Foi bom o Presidente Português aumentar o valor da estima e da auto-estima que cada um de nós temos e devemos ter, nesta permanente luta de nos sentirmos cada vez mais importantes como pessoas.

Foi bom, e é bom, quando assim acontece; mas fica o recado, o Presidente Português não é, e não pode ser caracterizado ou classificado como uma pessoa bairrista, como aquele, ou como aquela, ou como ele, ou como ela, ou como eles, ou como elas...

Pois bairrista, todos gostariam de ser, talvez apenas para ganhar protagonismo; mas ser bairrista de forma permanente não se apregoa, pois é uma designação pejorativa que mais uma vez emerge dos desvios da língua que frequentemente ocorre.

COM O NOVO PRESIDENTE COMEÇAMOS ASSIM

Por: Bento dos Santos
O dia 26 de Setembro de 2017, passou a constar nos registros da história política angolana. O facto que tutelou este dia como histórico, foi a formalização da alternância da liderança política.

A saída do então Presidente, Engenheiro, José Eduardo dos Santos deu lugar a uma nova liderança, saída das eleições realizadas a 23 de Agosto do mesmo ano, da qual o povo elegeu por maioria qualificada o candidato do partido MPLA, no caso, o agora investido e  Presidente, General João Manuel Gonçalves Lourenço.

O acto de investidura decorreu dentro das expectativas. Porém, entre os muitos factos que dai foram notórios, à que destacar a nova assunção do presidente cessante, a quem o povo angolano agradece pela dedicação e empenho ao longo dos anos, e que deixou de forma indelével feitos incontornáveis como é o caso da conquista da paz.

Com a realização do referido acto, outras situações se vislumbram; por exemplo, as expectativas em torno dos futuros dirigentes que vão formar o novo governo, que é um bom indicativo para sabermos, como o novo presidente poderá realizar na prática a "diferença do querer e fazer".

As vírgulas altas nas últimas palavras "diferença do querer e fazer" foram propositadas. Tal deve-se as perspectivas motivadas pelo povo, a quando do primeiro discurso do novo Presidente da República de Angola, o General João Lourenço. Na sua primeira intervenção como Presidente de todos angolanos, o Senhor Presidente reagiu quase como se estivesse sicronizado, com os apelos feitos pelo Juiz Conselheiro do Tribunal Constitucional, Dr. Rui Ferreira, sobre quem recaiu mais uma vez a missão de formalizar as leis constitucionais de investir o poder ao novo Presidente, tal como já havia ocorrido na investidura do mandato presidencial de 2012.

A alegria ou o manifesto da satisfação foi notória por parte de muitos cidadãos, e a ênfase em particular vai para os dirigentes cessantes, e quadros do MPLA, entre os quais, muitos agora alegam que com o novo Presidente, se espera que tudo vai mudar, e dão ênfase que vai mudar para “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”... entretanto, este é também um problema!

Por conseguinte, muitos formadores de opinião também foram no mesmo diapasão. Porém tal alegação de previsão, contradiz as realidades políticas, pois querer não é fazer. Atente que nos parágrafos anteriores nos referimos a importância da análise da composição do novo governo. E porquê?

Porque com a composição do novo governo, iremos poder avaliar o perfil dos seus componentes e consequentemente poderemos ter uma ideia mais objectiva dos critérios que estiveram na base das acções do Senhor Presidente, e por conseguinte, poderemos melhor perspectivar que tipo de governação teremos.

E quanto a euforia do povo...
E quanto as perspectivas do povo?

Sobre estas questões temos de ter em atenção o seguinte: "existe um pensamento que tem sido confundido quando se diz que o povo faz política. O povo não faz política; o que geralmente acontece é que o povo é levado pelos políticos na política".

Esclarecendo, o povo é influenciado pelas acções políticas e as suas perspectivas dificilmente são atendidas pelos políticos, pois muitas delas são complexas em função da extensa dimensão do seu universo sempre condicionadas a factores de vária ordem…

Os discursos políticos são manifestações de intenções, e o povo geralmente os interpreta como compromissos de acções. Até ai pode-se entender; mas a verdade é que uma intenção não é uma acção.
Uma outra questão prende-se no binômio causas e consequências.

Atenção!

Não estamos aqui a analisar ou a desconstruir o discurso do Senhor Presidente. Apenas estamos a procurar contribuir, fazendo o nosso papel cidadão, de ajudar a quem quiser entender, o momento político que vivenciamos.

Dizíamos que durante o longo e cansativo discurso do Senhor Presidente, “que parece que ninguém até agora notou que os discursos do Senhor Presidente, são longos e chegam a ser cansativos” podemos perceber que o referido discurso fez inúmeras referências sob a forma das perspectivas que se tem, em resolver-se os problemas da corrupção, fome, pobreza assim como a emergente necessidade da valorização dos recursos humanos etc, etc.

Foram muitas as áreas mencionadas, das quais se levantaram várias perspectivas, e todas as perspectivas apontadas como possíveis de soluções positivas. Até ai tudo bem.

Aliás, não devemos ser cépticos, mas atenção, para resolvermos os problemas temos de ser realistas e concretos, e quando somos realistas e concretos geralmente atacamos as causas e não as consequências; o que chega a ser melhor.

Contudo, quando se busca resolver as consequências dos problemas sociais, acentua-se o risco de se implementar soluções efêmeras.

E no nosso caso, atacar as causas implica olhar para o único ser capaz de identificar, caracterizar, classificar e resolver os problemas; no caso deve-se olhar para o homem.

Somos nós, os únicos seres capazes de ajudar a tornar possíveis as perspectivas e aspirações suscitadas pelo Sr. Presidente, General João Lourenço transformando-as assim em acções.

Temos de parar imediatamente fazer uso da estratégia do culto da personalidade na busca da recompensa dos prêmios do favoritismo, pois esta cultura política, é a porta de entrada dos outros males sociais que nós já vivenciamos.

Fala-se das avaliações, baseando-se nos critérios da competências. Sinceramente...

Que critérios serão estes, se muitos detentores dos cargos políticos e executivos e tantos outros utentes de títulos académicos não têm feitos práticos que os tornariam credíveis para as responsabilidades que almejam?!

Temos um novo Presidente, e muitos são os que agora acomodam-se a espera que o Sr. Presidente pegue na varinha mágica e acabe com a fome, com a pobreza e que todos nós angolanos passemos a viver na utópica riqueza que temos.

A referida metáfora nos lembra da euforia a quando da eleição do primeiro presidente negro nos Estados Unidos. Na ocasião muitos africanos festejaram e outros tantos pensaram que agora sim, seriamos todos americanos, e o presidente americano iria privilegiar a resolução de todos problemas africanos; não é preciso escrever sobre a dimensão da decepção que tiveram...

Conseguir o que se quer, significa tomar decisões que se tem de tomar de forma a obter-se o que se quer; é preciso termos os pés no chão e pararmos de sonhar quando devemos estar acordados.

Precisamos que a nossa política seja mais realista e concreta, por exemplo, não faz sentido manter-se a proibição da exportação de peças de viaturas, não faz sentido não podermos importar carros com mais de cinco anos, estas proibições têm impacto negativo na economia e tem consequências directa na vida das populações. E podemos citar algumas; com a falta de peças aumentam os roubos de viaturas para serem desmontadas e vendidas a retalho; com a falta de importação de viaturas temos maior dificuldade na mobilidade da população e reduz-se os postos de trabalho que este segmento de negócios geralmente proporciona. E não nos venham falar da fábrica de montagem das viaturas chinesas, porque todos nós sabemos a dimensão da necessidade de corrigir o que está mal neste particular, pois nem os chineses gostam e aceitam usar tais carros.

Certamente tal lei foi aprovada para salvaguardar interesses de grupos, mas acabou por prejudicar a maioria. E brevemente ainda teremos problemas semelhantes com a tal história das chapas de matrículas electrónicas.

São situações como as que aqui exemplificamos que podem dar uma visão de uma governação para o povo.

Por enquanto ficamos por aqui, na perspectiva de contribuir, participando na melhoria do que está bom e corrigindo o que esta mal.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SOMOS “COMUNICÓLOGOS” SIM, DOA A QUEM DOER!

Por: Bento dos Santos
Apesar das resistências retrogradas, não nos vimos presos em antagonismos assépticos, seguimos assim como a água corrente segue o curso da dinâmica da vida. Todavia, apreendemos que as coisas novas, mesmo sendo boas e de grande valor, muitas vezes têm de confrontar-se com as barreiras sociais, isto é, até serem aceites e aprovadas por muitos. E como a sociedade sempre transporta a sua heterogeneidade, a qual a ciência deslumbra certezas, deixamo-nos de conservadorismos e partamos para as realidades, pois a necessidade humana de gerenciar informações por meio da comunicação proporcionou o desenvolvimento de uma ciência social aplicada, no caso a comunicação social.
Uma acepção integra diversos significados e usos que pode ter uma palavra em função do contexto em que se insere. Através do dicionário informal (www.dicio.com.br) podemos encontrar a classificação morfossintática da palavra Comunicólogo como sendo um substantivo, masculino singular, cujo feminino forma a palavra Comunicóloga e em uma das suas definições pode-se interpretar o Comunicólogo como a designação genérica dos formandos superiormente no curso de Comunicação Social, particularmente daqueles com habilitação em jornalismo, cinema, rádio, televisão, relações públicas, publicidade e propaganda, entre outras áreas profissionalizantes do curso superior de Comunicação Social.
O Comunicólogo é um especialista em comunicação de massa. O papel principal do Comunicólogo está ligado à formação da opinião pública. O Comunicólogo presta serviços de utilidade pública, participa da cobertura periódica dos factos e acontecimentos de relevância, com o objetivo de transmiti-los à sociedade, actua na difusão de ideias associadas às instituições do estado ou empresas, actua na relação das empresas e organizações públicas ou privadas com o público, escreve artigos, ensaios, resenhas, monografias, relatórios de pesquisa, etc.
De facto, sabemos que a formação da opinião pública é reconhecidamente um dos atributos dos meios de comunicação social. Todavia, outra temática que também alia-se ao papel das funções dos Comunicólogos é a problemática da tão almejada liberdade de imprensa que é também um dos desafios que os Comunicólogos enfrentam no exercício de suas atividades profissionais que, diariamente, lidam com o difícil trabalho de manter em equilíbrio a relação entre informação e poder, no contexto social.
Portanto, agir com ética e responsabilidade ao transmitir a informação deve ser o objetivo principal dos Comunicólogos.
A ética deontológica é dos principais baluartes do exercício da profissão dos Comunicólogos, a ética profissional será a parte da filosofia da profissão que se dedicará à análise e implementação técnica dos próprios valores e das condutas humanas, indagando sobre seu sentido, sua origem, seus fundamentos e finalidades” para reforçar o verdadeiro papel dos profissionais da comunicação que devem ter o compromisso de promover os interesses da colectividade. E assim reafirmamos somos Comunicólogos sim, estudamos a comunicação com ciência e não nos limitamos em fazer a sociedade ouvir as informações porque temos boa aparência ou uma boa voz…
Neste início de um novo século marcado pela aceleração da evolução tecnológica, o Comunicólogo apresenta-se como um dilema de fórum epistemológico. Mas não nos limitemos ai, pois a denominação do nosso campo de estudo pelo termo “comunicação” que também é usado para designar os próprios meios que dão suporte as actividades técnicas de produção e emissão de informações, sugere um conjunto de actividades e técnicas com recurso a ciência para as implementar no meio social.
O próprio termo “Comunicador” fica limitado ao agente do processo, ao sujeito da acção caracterizado frequentemente como profissional que actua na área. Não se aplica igualmente ao receptor, que é visto como público-alvo, ou objecto da acção que se desenvolve. O Comunicador será aquele que realizará intencionalmente e competentemente o ato comunicativo. E aqui convém incorporar à comunicação o sentido da prâxis, superando a dicotomia entre a prática e a teoria, entre fazer e pensar, ampliando assim o carácter meramente técnico dos seus agentes. Aliás, mais do que agente da comunicação, o Comunicador deve se ver como sujeito que pensa o que faz, que actua de forma critica e autocritica em relação aos fenómenos dos quais faz parte.
No entanto, em função dos factos, ocorre que muitos insistem na separação entre o sujeito cientificamente capaz e o objecto de estudo. E para tal, apoiam-se em razões epistemomológicas que cobram objectividades no fazer investigativo. O método dialético se configura em alternativa a essa tendência. Assim como a confrontação entre a teoria e a prática pode ser realizada com a valorização das suas dimensões da relação do ser humano com a realidade, é necessário reconhecer esta interdependência entre o sujeito e o objecto no campo das ciências da comunicação, e assim sendo a práxis não pode ser vazia de conceito. Quando isto ocorre, o que se tem é um activismo acrítico.
Os Comunicólogos são cientistas que se ocupam do estudo da relação dos meios de comunicação social e a própria sociedade, e regulamentar está profissão é uma necessidade que se impõe desde a própria classe dos Comunicólogos e se estende ao tribunal supremo, no que é, a necessidade do atendimento de formalizar a referida profissão.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

REDES SOCIAIS, O REGRESSO DA TORRE DE BABEL?!

Por: Bento dos Santos
Apesar das inúmeras desigualdades no acesso directo aos meios de comunicação social, está comprovado cientificamente que antes, nunca houve tantas e tão variadas tecnologias e suportes de comunicação e informação como os que actualmente funcionam como alternativa a esses meios.
Antes, não havia tamanha circulação de conteúdos no contexto periférico da comunicação social.
Na actualidade, não há como negar que a televisão, a imprensa escrita e falada, e a internet são potencialmente os novos espaços privilegiados para a transformação e reflexão social, muitas vezes aproximando pessoas e grupos, familiarizando o  cotidiano, sustentando ou derrubando ideologias, apontando caminhos mais criativos, denunciando deformidades sociais, como a corrupção e outros tantos problemas sociais.
Todavia, os inúmeros novos meios de comunicação e informação criaram também novos actores no espaço periférico da comunicação social e estes agem a margem do contexto formal buscando aceder as fontes de informação, o que pressupõe um novo desafio para as sociedades democráticas que tem na mobilização um dos seus principais campos de actuação. Isto porque o modelo dos estados democráticos fundamentam-se essencialmente a partir da base participativa e deliberativa, o que também pode ser entendido como um modelo que prevê o alargamento do conceito de cidadania, isto é, abrangendo o maior contingente de cidadãos portadores de direitos como nunca antes visto  na história.
Tomemos como exemplo a disseminação das informações no espaço público, sobre casos aliados a criminalidade no que concerne às matérias que apresentam uma perspectiva de uma determinada política pública. Quanto a esta questão uma das perguntas que pode ficar e que pode ser estendida às outras temáticas, é:
Em que medida esse tipo de intervenção tem colaborado efectivamente para pautar o Estado no sentido de que adopta uma política efectiva para a resolução de uma determinada questão ligada a criminalidade?
É no contexto da interação entre os cidadãos, especificamente a sociedade civil e o Estado, que surgem dispositivos que agindo na periferia do poder público  (as redes sociais sob plataforma da internet), permitem a participação na discussão e deliberação acerca dos mais variados temas públicos.
Porém, é também a partir desta imensidão de fontes e de excedente de informação e de canais de comunicação que se denota a incompreensão social sobre o foco de muitas mensagens públicas.
Assim para garantir a existência e efectividade desses fóruns, vê-se o poder público diante da necessidade de ser ele próprio o mobilizador  direccionando as suas acções para uma comunicação social mais objectiva e realista.
O alargamento da perspectiva a que nos referimos  inclui entre as suas diversas finalidades não somente a difusão das informações supostamente do interesse público. Mas também há necessidade de assegurar as relações sociais, no caso entre o Estado e os Cidadãos, assim como provocar alterações  na organização social nos regimes democráticos. Ou seja, uma prática que contribua para alimentar o  conhecimento cívico, e que venha a facilitar  à acção pública e garantir o debate público.
Outrossim, de que maneira o cidadão poderá fazer valer a sua prerrogativa de participar efectivamente dos temas em abordagem nos meios de comunicação social?
Talvez em diferentes contextos seja diferente, mas é sempre possível que um cidadão busca alcançar isoladamente essas instâncias, isto para ter a possibilidade de dar voz às suas opiniões, expectativas e interesses.
Entretanto, o que chamamos de participação nessas instâncias é na verdade uma complexa busca para a combinação de actores, no caso pessoas e instituições que podem se mobilizar para essa finalidade. Isto implica necessariamente a questão da dimensão dos temas abordados na esfera pública.  É a partir desta união que se pretende, que o espaço virtual tem permitido fundir tendências culturais e comportamentais, ausentes dos padrões sólidos aliados ao carácter e aos valores individuais de cada um. Essas digressões virtuais, muitas vezes anulam as fronteiras do bom senso e instantaneamente fazem surgir e promover a incompreensão das mensagens no espaço público.
Contudo, actualmente no contexto da comunicação social angolana se denota uma grande ausência da abrangência do tratamento das questões factuais consideradas importantes e do interesse público com base no jornalismo factual e isento.
Questões como a definição das políticas públicas  existentes e que deveriam existir, bem como o acompanhamento e avaliação das metas que devem ser cumpridas e muitas outras, têm sido deixadas de lado, o que dá consistência a uma constatada confusão perante a realidade dos factos, e as redes sociais tem então sido utilizadas como campo alternativo para a participação dos cidadãos na vida pública o que também faz renascer a histórica "Torre de Babel" versada nas temáticas bíblicas. E não é que lá (...) todos falam mas não se entende nada!!!
E agora mais esta pá!

Obs: Qualquer utilidade deste artigo deverá referenciar a fonte. Pois este texto é parte integrante da nova obra literária do autor Bento José dos Santos.

domingo, 13 de novembro de 2016

VICTÓRIA DE TRUMP LEVA AMERICANOS A BELISCAR A DEMOCRACIA

Os resultados das eleições presidenciais norte americanas, realizadas no passado dia 8 do mês corrente ainda não pós fim a fábrica de surpresas que os Estados Unidos da América tem vindo a revelar no seu cenário político mundial.
Se por um lado muitos prognosticavam que um dos candidatos à presidência perderia certamente por ser super "mal-criado" por outro, após o pleito, se assiste muitos especialistas  a tentarem entender porquê que a Maria não levou todos (...); entende-se a Hillary não levou todos votos. Entre pretextos e justificações, alguns entre muitos cidadãos de uma das nações mais poderosas do mundo, isto é os EUA não se conformam e revelam o que, o agora Presidente havia dito...
-"Não aceitam pacificamente os resultados das eleições".
Não vamos aqui fazer grandes incursões na história para dizer que os Estados Unidos da América se apresenta 《》como um dos países mais democráticos do mundo. Aliás o partido derrotado tem a designação de "Democratas". Importa lembrar sim, que o sistema político dos Estados Unidos da América funciona numa base de República Federal Presidencialista.
A história dos EUA ascende entre 1783 e 1815 períodos que foram caracterizados por três factos sonantes, sendo que em 1787 representantes de todos Estados Americanos reuniram e juntos escreveram a Constituição Americana. O segundo período foi da expansão territorial com anexação das treze colónias em território britânico, como parte dos termos do acordo de Paris. O terceiro período foi o das dificuldades económicas e das infra-estruturas bem como vários conflitos diplomáticos. Isto é para termos uma ideia sobre o percurso dos americanos e pararmos de pensar que lá é o paraíso perdido do Tio Adão e da Dona Eva!
Bem; história a parte! A verdade é que os Estados Unidos da América, um país com mais de 240 anos, tidos como os donos do mundo 《》 hoje dá uma "grande bandeira" e começa a revelar que não convive de forma salutar com a democracia.
Depois de inúmeros episódios desprestígiantes com várias mortes por assassinatos nos últimos meses, mortes estás de cidadãos maioritariamente da raça  negra, agora o mundo assiste como os americanos reagem mal, isto é, de estômago virado quando o resultado não agrada à alguns.
Será que Trump fez batota?
Será que a oposição americana vai chamar os observadores internacionais para fazerem uma auditoria no processo eleitoral?
Ou será que os nossos políticos da oposição, os cá do nosso país irão para lá na condição de especialistas para averiguarem onde esteve a fraude?
Ou não(...)
Será que é feitiço... Como dizem algumas vozes cá da nossa praça política?!
Com estômagos virados ou não, a verdade é que os democratas ou melhor a Hillary e o kamba dela, o mais-velho Obama e todos outros levaram uma surra nas urnas, e podemos aqui espelhar os resultados:
Embora Hillary tenha recebido mais votos populares que Donald Trump, a democrata só venceu em 20 Estados e na capital Federal, o que representa 228 votos correspondentes no Colégio Eleitoral.
Trump, por sua vez venceu em 29 Estados e somou 290 votos no colégio Eleitoral, 20 a mais que os 270 necessários para se eleger presidente.
Contas feitas e é motivo para dizer: Foi Surra ou Quê?!
Entre justificações e lamentações, a dura realidade actual é que alguns americanos resolveram agir conforme a suposta nova moda de fazer política: manifestações na área. E assim os Estados Unidos da América o tido país mais exemplar na democracia mundial vem dar uma demonstração que afinal o feitiço pode sempre voltar contra o feiticeiro...
E mais está pá!
Se fosse aqui em África?!
O que diriam os partidos da oposição?!
(...)