domingo, 22 de abril de 2012

GUINÉ BISSAU, O NOVO DESAFIO DA DIPLOMACIA ANGOLANA

Por: Bento José dos Santos

Neste artigo o caro leitor não encontrará uma descrição cronológica dos factos ocorridos a quando dos quatro golpes de estado na Guiné Bissau em menos de quinze anos. Basearei a minha reflexão de forma muito sintética sobre alguns factos que considero de maior impacto para a opinião pública internacional, considerando que o actual golpe de estado perpetrado na Guiné Bissau trás a monte a necessidade de uma reflexão introspectiva sobre a nossa visão geoestratégica e a nossa forma de actuação e posicionamento no que diz respeito aos ambientes geopolíticos externos, tendo em conta a sua complexidade perante aos condicionalismo culturais e ideológicos destes países que em muito diferem do nosso.


É evidente que a nossa competência critica diante dos grandes temas que se debatem na região Austral e Ocidental de África pode induzir-nos a perspectivar cenários nacionais e internacionais que podem perspectivar a tomada de decisões com baixo risco.

No entanto, o caso mais recente (subversão da ordem democrática) ocorrido na Guiné Bissau contrariamente ao que muitos podem inventariar leva-nos a considerar como negativa para politica externa Angolana mas positiva para o exercício da diplomacia de Angola. Apesar da interacção permanente da política e da diplomacia neste caso é possível separar, através de linhas de actuação.

Separando as águas «» a negatividade no que concerne a política externa de Angola faço referência a emancipação de Angola em casos de natureza política militar onde a exemplo da Cote D´ Ivoir Angola já experimentou o amago das rebeldias quando as premissas internas desses países fazem-se sob égide de armas, caso similar e permanente a do estado guineense.

Quanto a positividade que se deslumbra no campo diplomático, Angola pode tirar vantagens da situação pela operacionalidade dos seus canais diplomáticos, enquanto presidente na CPLP, incluindo a excelentes relações com países emergentes no contexto internacional como o Brasil e a China, para a projecção das suas posições na ONU, o que pode sobrepor a brecha diplomática promovida no seio dos golpistas Guineenses que através do seu porta-voz o tenente-coronel Daba Na Walna, não tem parado de promover uma imagem de arruaçaria e de bandidagem, que se pressupõe financiada pela droga, demostrando falta de visão estratégica. Pois como sabemos a Guiné Bissau enquanto país não tem pernas para andar pelos seus próprios pés económica e financeiramente, o que não faz sentido o mesmo vir a minar as saídas diplomáticas que lhe poderiam ser úteis.

A sua posição como militar radical e despreparado para um diálogo politico, como se deu na imprensa internacional, especificamente a quando da entrevista realizada e veiculada pelo canal de televisão português, no caso a RTP África (20/04/012), o tenente-coronel Daba Na Walna (jurista licenciado pela Faculdade de Direito de Bissau e mestre pela Faculdade de Direito de Lisboa), desperdiçou uma forte oportunidade de promover de forma diplomática as suas acções, onde a coerência seria a de por os interesses do povo enquanto parte integrante do estado soberano como primazia, entretanto, o mesmo teceu acusações contra o estado Angolano e o governo Português com base em argumentos revanchistas presos numa ideologia demagoga étnica, demostrando assim a comunidade internacional um total despreparo para o exercício politico e social.

Por cá, a boca rota, propaga-se como aventureira a nossa missão “MISSANG” na Guiné tendo em conta as nossas necessidades internas, uma vez que as nossas forças armadas ainda carecem de melhor assistência logística e social, principalmente aos desmobilizados, considerando acima deste facto os desafios socias que emergem a cada dia no nosso pais em reconstrução, o que faz muita gente desvalorizar a nossa participação sob titulo de ajuda ao povo Guineense.

Outrossim, é tido como positiva acção imediata do governo angolano a quando da retirada unilateral das nossas forças em missão na Guiné, uma vez que deste modo abarcamos com o risco de evolvermo-nos numa situação muito complicada, que certamente exigiria a sobreposição pela intervenção da nossa força militar.

Em suma, o que muito ainda tem por se dizer face aos riscos e factos que poderão ainda ocorrer com tal cenário na Guiné já pode-se prognosticar mais sofrimento para o seu povo.

Entretanto os sinais institucionais dado pelo povo guineense a quando da recente greve das administrações públicas (convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (SNTGB) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) através de um comunicado conjunto, apoiado pelos trabalhadores da administração pública) como manifesto da restituição do poder politico institucional e a recente negação da auto-eleição do então líder parlamentar para a presidência da república guineense (Manuel Serifo Nhamadjo, um dissidente do PAIGC que concorreu à primeira volta das presidenciais, a 18 de Março, e foi derrotado por Gomes Júnior, que agora iria disputar a segunda volta com Kumba Ialá) leva-nos a prognosticar que o governo angolano deverá activar apenas as suas estratégias do campo diplomático, sendo que duas acções poderão já estar em curso, uma deverá ser a dos bastidores, onde Angola deverá participar da integração dos países e organizações internacionais que de forma consensual repudiam e condenam a situação actual da Guiné bem como os seus actores.


Ainda sobre este figurino, perpectiva-se que a ONU venha a condenar as acções dos insurgentes e autorize a criação de uma "força de manutenção da paz" ou "missão de estabilização" poderá ser integrada por miliitares da África Ocidental e dos países lusófonos, onde as tropas angolanas, já presentes na Guiné Bissau integrariam como parte de um acordo bilateral de cooperação.Por fim, podemos ainda apreender com este episódio sobre a necessidade da sociedade angolana estar mais habilitada para as ameaças externas, pois o facto de sermos um povo pacífico «» não nos exclui de susceptiveis ameaças externas. E que nos sirva de lição, antes de ser-mos bons samaritanos primeiro devemos rever as nossas próprias necessidades.


















quarta-feira, 18 de abril de 2012

NOVA AMEAÇA SOCIAL: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO INCORRECTO…




A condição da natureza humana pressupõe a permanente interacção entre os homens,  denominada em meios académicos por sociabilidade. Em meu entender, a nossa condição de ser social, deve consistir na observância rigorosa do que é correctamente aceite no espaço público ou no meio social, refiro aos aspectos ligados a personalidade de cada um: comportamentos, emoções, e atitudes correctas.

Há alguns anos, eu tentava prognosticar qual seria no futuro, a posição daqueles que sempre romperam o campo da ética e da moral, violando princípios básicos do que é socialmente reconhecido e aceite como positivo, em detrimento da realização dos seus anseios individuais.

Numa linguagem menos formal, refiro-me a prática de acções caracterizadas pelo “cambalacho” «» expressão importada e massificada graças a veiculação de uma novela brasileira na década dos anos 90 pela nossa televisão pública de Angola “TPA”. O cambalacho a que me refiro, pode ser entendido pelas acções que promovem a corrupção, dando prioridade ao oportunismo egocêntrico.

Tal facto, pode ser identificada em várias vertentes, como exemplo, no caso da eleição de um candidato a uma determinada vaga de emprego, ou ainda pela conveniência do amiguismo ou por um outro interesse que viola os procedimentos preditos pela lei ou regulamentos: “ que apesar de ficar provada a competência do candidato, ele fica de fora, passa a miúda de boas pernas, esta é a escolhida” ou em outros casos o primo “D”…

No entanto, a questão da actual passa pela elevação da falta de educação que prolifera na nossa sociedade.

Argumentos infelizes têm se emancipado deixando para trás princípios básicos da educação doméstica. O adágio popular “parece que ele não tomou a sopa na mesa com os seus pais” parece ser substituído formalmente pelo dito: “não liga, isto é Angola…ou ainda, deixa estar e vamos fazer o quê, se este país esta mesmo assim…e agora acresce-se: a culpa é do governo... ou melhor...do executivo « »!”

No entanto, sem superar a habilidade daquele que já considerei o maior ilusionista do mundo “o mágico David Copperfield” (http://www.slideshare.net/espig/a-magica-de-david-copperfield) que no fim da década dos anos 80, confundiu-me, iludiu-me de que o mundo podia ser transformado em faz de conta, com apenas um estalar dos dedos, ou um simples sopro mágico.

Naquela época (da minha adolescência), eu achava que todos problemas sociais e não só, podiam ser resolvidos com um estalar de dedos do super David Copperfield. A meu entender ele devia ser o líder dos líderes, pois parecia ter a solução para todos os problemas que eram expostos, e resolvidos com soluções simples e práticas como: "um estalar de dedos, ou, o simples, a-drá-cá-dra-bá! ".

Enfim! O David desapareceu, quase como se alguém tivesse estalado os dedos, e eu cresci e encarei a realidade do mundo…

E então?! Por cá (...)?

Na realidade as coisas andam assim: a nível institucional a raiz do mal parece desenvolver novos tentáculos. É nesta perspectiva que começam a ser mais bem compreendidos aqueles que promovem as facilidades.

Actualmente, parece que o bom professor é aquele que não exige rigor sobre os seus alunos. Não é malaike aquele chefe que entende que o funcionário esteve na "Rav das Sem Saia Dental", no Domingo passado, e por isso hoje, segunda-feira, o chefe deve dar mole “facilitar”, entende-se não fiscalizar as acções com rigor, pois assim ele será considerado pelo grupo de funcionários, como o chefe fixe!

É assim, que os nossos compatriotas nas suas deslocações para o exterior vão promovendo de forma gratuita, e negativamente a imagem do país. Elogiam entusiasmados a forma ordeira que as pessoas perfilam para subir no autocarro, suportam a bicha da migração sem tentarem furar, e incitar a corrupção, reprovam nos textes e não acusam existir batota na selecção, enfim, respeitam as normas das instituições dos outros países! Mas uma vez cá (…) esquecem-se como que hipotenizados pela mágica de David Copperfield. Esquecem-se que é preciso estar ciente do respeito das normas sociais.

Esquecem-se que é necessário estarmos conscientes que a boa convivência parte sempre do respeito ao próximo, e isto, só é possível quando activamos os nossos princípios educacionais.

Por outro lado, somos nós próprios enquanto cidadãos que promove-mos a nossa imagem, a imagem do nosso país, pois uma vez fora das nossas fronteiras somos auto-designados embaixadores da nossa pátria.

Acima de tudo que foi proposto a reflectir, cá na banda, parece que o incorrecto começa a ser formalizado como se fosse o admissivelmente correcto.

É preciso formular-mos uma estrátegia para a mudança de paradigma. Vai ver que mais dias, menos dias, ainda somos surpreendidos pela inversão da lógica matemática… e ai, o resultado da adição de 1+1 já não será=2. Tudo porque, alguém usou a frase potencialmente incorrecta do deixa lá…isto mesmo já anda tudo lixado « » (…) sem esquecer que a culpa é do governo, ou melhor do executivo (…)… E assim, vamos indo. Por cá e por lá, promovendo a institucionalização do incorrecto, haja ciência (...)!

terça-feira, 3 de abril de 2012

PAZ NA PAZ: ANGOLA 10 ANOS DE PAZ. PARTICULARIDADES E SIMILARIDADES

Foi difícil alcançar a paz. Não transporto apenas a lembrança do comunicado proferido no jornal das 20:00 Horas emitido pela Rádio Difusão de Angola, que dava conta das fortes expectativas para o fim da guerra civil em Angola. Eu tinha as minhas razões para esboçar um sorriso e exteriorizar um “VIVA” saudável mesmo dentro do carro o qual me fazia transportar.

Ainda me lembro da força mágica do poder da mente humana que em pouco tempo resgatou inúmeras imagens do que podia ter sido a minha vida se aquela maldita guerra civil não tivesse existido. Certamente, não teria experimentado as inúmeras dificuldades de varia ordem que um adolescente tem de passar quando se apercebe que a desgraça dos seus progenitores é promovida por um mal chamado “GUERRA”.

Uma guerra que anulou uma vida de intenso trabalho, meu falecido pai que infelizmente não teve oportunidade de viver até o alcance da “BENDITA PAZ”, não suportou os inúmeros dessareis que os efeitos da guerra andaram a lhe proporcionar.

Camiões queimados, lojas sabotadas e destruídas, mercadorias queimadas. O elevado prejuízo que meu falecido pai viveu teve sempre um culpado e plenamente identificado, chamava-se “GUERRA”!

Foi também esta mesma maldita guerra que ceifou a vida dos meus queridos tios, primos que em muitas ocasiões foram apanhados em emboscadas e chacinados a sangue frio ou sei lá…apercebia-me dos horríveis cenários promovidos pela maldita “GUERRA” pelos rostos de sofrimento das minhas tias, da minha falecida mãe, do meu querido e falecido pai, quando em pranto reuniam-se para o óbito de um dos muito mortos provocados pela maldita “GUERRA” cujo corpo em muitas ocasiões não aparecia para se prestar a última homenagem. Em muitas ocasiões aqueles corpos eram substituídos apenas por fotografias a preto e branco.

A maldita “GUERRA” foi a maior promotora de cenas que causam traumas, foi ela que fez o meu falecido pai morrer duas vezes. Uma num ataque perpetrado no município do Golungo-alto na província do Kwanza Norte, e outra num outro ataque no famoso morro do Binda.

Nas duas ocasiões a minha família ensaiou o óbito do meu falecido pai, que aparecerá primeiro através das noticias do boca-boca do ouvi dizer, e seguidamente por meio de um telefonema onde acabava por confirmar o seu estado.

Enfim, tal como eu que me vi forçado a engrenar nas mais difíceis fases de engenharia da vida, certamente inúmeras pessoas viveram o horror da “GUERRA” de diferente forma.

Talvez seja a ocasião destas pessoas passarem o testemunho factual dos efeitos da “GUERRA” apesar de que na actualidade, o mundo ainda estar repleto de cenários de desgraça promovidos pela “GUERRA”. É só vermos os rastros de destruição deixados pela maldita “GUERRA DO IRAQUE, DA LIBIA, DA SIRIA, CONGO DEMÓCRATICO, ATÉ MESMO NO EGIPTO”.

Muitos são os que pedem para se apelar a tolerância, “CONCORDO PLENAMENTE” mais sou de opinião que os simples “DEZ ANOS” de paz que agora comemoramos não devem servir apenas de reflexão das conquistas sociais que alcançamos: mais escolas, estradas, hospitais, pontes, casas etc.

É preciso acima disto encarar estratégias que nos levam a alcançar um objectivo concreto: o de “MANTER A PAZ, COM PAZ”.

Acredito que não sou o único insatisfeito com o estado social das coisas. O meu emprego na função pública também me paga mal (alegam que a culpa é da maldita reconversão que nunca chega), vivo sem energia 24/24 horas, sem água potável, com bacias de lagoas em frente a casa, que mais parecem lagos artificiais, no meu bairro as casas que tem torneiras servem apenas para lembrar que são objectos onde devia se retirar a água para os distintos fins, vivo num bairro onde a pobreza é sinonimo de força e esperança do dia melhor, lá todos somos zungueiros!

Entretanto, é preciso reconhecer que o tempo não para. O tempo passa e com ele vem outras e novas fases, o meu sobrinho que lhe vi nascer enquanto eu experimentava os meandros da juventude, hoje já é um homem.

Enfim, apesar de tanta coisa por fazer, é preciso lembrarmo-nos permanentemente que a “A PAZ SÓ TRAZ BENEFICIOS QUANDO SE VIVE COM PAZ” por isso é imperioso dotarmos toda sociedade de formas e métodos de promoção da “PAZ COM PAZ” este é o principal desafio da actualidade após consumirmos “DEZ ANOS DE PAZ” pois “DEZ ANOS DE PAZ AINDA NÃO REPRESENTAM DEZ ANOS DE GLÓRIA DE PAZ”.

Acima de tudo é preciso assumirmos todos juntos o compromisso de darmos “PAZ NA PAZ” pois como na matemática “PAZ COM PAZ CERTAMENTE SERÁ IGUAL A MAIS PAZ”.

In memorial dos meus falecidos pais (Francisco F. R. dos Santos e Filomena F. José dos Santos)


sexta-feira, 16 de março de 2012

A ORIGEM II, ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO MUNDO


Bento José dos Santos


Espalhadas pelo mundo as organizações criminosas desenvolveram vários perfis em termos de estrutura, modo de actuação, finalidades e sectores da sociedade, compreendendo inclusive as relações de classe. A retrospectiva histórica quando acompanhada do estudo da cultura local, evolução socioeconómica e política serve para mostrar a capacidade de metamorfose do fenómeno criminal, tornando não apenas este ou aquele grupo específico, mas o objecto de estudo, como fenómeno que transcende as conjunturas, passando a apresentar-se com actores novos, num cenário novo, com enredos velhos.

É o caso do mafioso associado ao homem do campo ou do subúrbio, substituído pelo homem de instrução, político ou empresário.

Porém, é preciso que certas tradições culturais resistam ao tempo, para que haja contexto propício, no qual, grupos sociais possam transformar-se, fazendo parte de um momento histórico. Ao observar esse processo, na Itália, foi possível perceber semelhanças entre outros lugares como Rússia, Estados Unidos e Brasil.

A literatura folclórica, por exemplo, insiste em colocar o coronelismo como sinónimo de ética, honra, assim como poder político e social. A literatura desenvolvida sobre o tema não se interessou em mostrar que, além da presença marcante do coronelismo nas mais altas esferas da política brasileira, foi também sustentáculo do histórico populismo-oligárquico e anti-democrático que se vivia naquele país em períodos ditatoriais.

O coronelismo vivido no brazil na época, salvo algumas excepções, foi reduzido a uma relação na qual, o banditismo social promoveu o fenómeno do crime. Em outras paragens, na Sicília, os interesses das classes dominantes evoluíram numa versão vulgar, reproduzida como prato-feito para degustação intelectual dos jovens nas ruas, praças ou nas escolas.

Esta versão coloca o movimento do poder paralelo como um mero acto de criminosos andarilhos que, agindo em grupo, cometeram crimes hediondos, desesperando as populações dos bairros por onde passavam, ameaçando com isso, a paz social.

No entanto, este fenómeno tão complexo que viria a assombrar as sociedades pelo mundo foi reduzido a um facto sem historicidade. A máfia na Sicília, o coronelismo no nordeste brasileiro e o banditismo cá por Angola são fenómenos similares aos decorrentes em qualquer sociedade no mundo.

Dizer que o crime é resultado de uma sociedade injusta, explica muito pouco o problema, visto que, quanto mais o crime se organiza mais ele desestabiliza a sociedade da qual se julga produto. É preciso perguntar então, se é o crime resultado de uma sociedade injusta ou se uma sociedade é injusta porque o crime existe, e penetra em todas as esferas das relações de poder, reduzindo a possibilidade de uma sociedade mais justa.

De modo geral, a partir da relação entre a formação do Estado moderno e grupos sociais distintos, podemos afirmar que, os grupos organizados que poderiam ser apontados como típico banditismo social de um capitalismo em formação, seja nas classes subalternas ou dominantes, muitas vezes não formavam redes apenas num domínio especificamente doméstico.

As acções colectivas sempre foram organizadas por ordens. Ordens religiosas, às vezes secretas, inclusive pautadas nos princípios da caridade e amor ao próximo, implantaram as primeiras raízes do que viria ser no século XX o Estado do bem-estar social.

A questão é que a diversidade de ordens sempre esteve relacionada à diversidade de actuações. Das ordens beneméritas aos exércitos particulares, chegando aos grupos ou gangs. No entanto, mesmo perante as ordens que sempre normalizaram as sociedades, mesmo muito antes que qualquer modelo de Estado, assiste-se uma estruturação sombra que dá origem as organizações criminosas pelo mundo.

A análise da relação entre Estado e Sociedade pode nos remeter a dois níveis de indagação. O primeiro, a respeito de quando começa a haver uma penetração do poder do Estado, no sentido histórico-cultural, de coagir o comportamento humano, efectivando o que N. Elias chamou de processo civilizador. Ao mesmo tempo, um segundo nível de questionamento torna-se fundamental, ou seja, em que medida o Estado tem poder de penetrar, influir, modificar e consolidar formas de comportamento que podem se manifestar nas condutas individuais e na teia elástica do micro das relações sociais da vida quotidiana.

Perante a tal reflexão, não resistimos a tentação de estudar a origem de algumas organizações pelo mundo (continua ao longo da semana), tal facto poderá dar-nos visão mais esclarecedora no que tange a existência de organizações criminosas cá na nossa praça.

Já agora duas questões se levantam, o que achas…em Angola existe organizações criminosas?!!!

Organizações criminosas em Angola realidade ou ficção?!

quarta-feira, 14 de março de 2012

O POSICIONAMENTO SOCIAL FACE A ORIGEM DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS




Bento José dos Santos

A busca permanente para solucionar questões de índole social cai no rótulo, ninguém tem uma proposta abrangente e acabada para resolver de vez o problema da criminalidade. O que se pode dizer, com certeza, é que pelo mundo, ela vem crescendo de forma assustadora nas últimas duas décadas, acima de qualquer parâmetro de razoabilidade ou comparação com a média das nações.

Os distintos extractos sociais, mormente os intelectuais, procuram a solução e as respostas, invariavelmente, serão sempre as mesmas: mais educação, combate às desigualdades sociais, melhoria no sistema judicial, criação de sistema prisional que realmente reeduque e reabilite os criminosos, justiça ágil e eficiente, policiais com alto nível de profissionalismo e eficiência e vai por aí afora.

Aparentemente todas estas soluções são de médio e longo prazo, algumas até inviáveis para um país no estágio de desenvolvimento como o nosso.

Torna-se evidente que a sociedade não conhece como exterminar a criminalidade de imediato. Mas podemos identificar alguns aspectos que têm contribuído para aumentá-la. O principal é a impunidade. E esta tem relação directa com alguns mitos e tabus que, entre nós, se alimentam em relação ao crime. Dois, entre eles, são: 1 – a inimputabilidade penal dos criminosos menores de 18 anos e, 2 – a mística de que os bandidos são mais vítimas do que agressores da sociedade.

Para encontrar a origem das organizações criminosas em qualquer tempo ou lugar é necessário fazer um estudo histórico-antropológico e político de grande envergadura. Isto porque a maneira como o crime irá se manifestar em cada lugar está muito vinculada à trilogia: história, cultura e política. Seguindo esta ideia, talvez outros pontos comuns que possamos encontrar nestas origens sejam a necessidade de compreender como se estabelece a relação entre os estados e ordenamento social para efeito de início e orientação do estudo.

O conceito de processo socializador é um bom começo para o entendimento do problema. O antigo e permanente conflito entre ética e instinto, abre o espaço e concorre, ao mesmo tempo, em que se dá a formação do estado moderno a revelação da necessidade do estado em abarcar todas as relações sociais, sob manto de normas.

Esse projecto parece “falhar” em certos momentos tanto para indivíduos como para subgrupos em sociedades inteiras, particularmente na nossa sociedade.

É preciso ter conta também a transição da conquista da liberdade face ao colonialismo e o período de guerra civil até ao alcance da paz cá em Angola.

A implantação de um estado moderno num contexto em que as razões de estado entrelaçam-se com razões particulares, resistentes ao novo modelo de sociedade cujo ordenamento político-jurídido estava a começar a surgir, sugere a mesma problemática que Hobbes estava a debater no século XVII, quando afirmou que “em todos os lugares onde os homens viviam em pequenas famílias, roubar-se e espoliar-se uns aos outros sempre foi uma ocupação legítima, e tão longe de ser considerada contrária à lei de natureza que quanto maior era espoliação conseguida maior era a honra adquirida” (1997, p.141).

É num contexto como esse, de relações sociais pautadas em princípios fortemente tradicionais que surge uma justiça extra-legal, no sentido de não ser ajustada ao tipo de profissionalismo burocrático, regido por princípios como o da imparcialidade e soberania da Lei. Mas é uma ideia de justiça que permanece resquício de tradições familiares, códigos de honra e valores morais que vão orientando a efectivação da justiça paralela para a nossa sociedade.

A informalidade dos padrões de uma burguesia em ascensão se estende ao crime devido até mesmo a necessidade de manter certas formas de relacionamentos. E quando os padrões culturais e de consumo burgueses se tornam objecto do crime, ele tende a se organizar nos termos em que conhecemos hoje.


Se nas origens, a referência não foi necessariamente uma classe e sim a riqueza; como consequência, opulência, poder, a estabilidade transforma-se em ambições a serem conquistadas a qualquer preço.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E OS INTERESSES DOS ESTADOS





Bento José dos Santos
- Até que ponto a população de um determinado país, está inteirada sobre os métodos, tácticas e estratégias dos estados fazerem politica externa, no que concerne o interesse de um estado sobre outro?


- Até que ponto a população de um determinado estado, está inteirada dos riscos, das ameaças das oportunidades e forças que um estado pode exercer sobre outro?


- Quanto aos meios de comunicação social, os amplificadores das liberdades e libertinagens, até que ponto a liberdade editorial é um facto, perante aos interesses dos estados?

- A quem realmente interessa ver publicada materiais que denigrem a imagem do seu país em jornais estrangeiros?


- Até ponto os editores (estrangeiros) de tais materiais estão realmente desprovidos de qualquer forma clássica do método da manipulação da informação, cujo pendor integra os fóruns políticos, perspectivando a curto prazo adeptos internos no seio das associações civis e políticas?


Talvez começaríamos a debruçar sobre as questões expostas, recorrendo ao pendor legislativo, esgrimido argumentos da constituição, da carta magna etc, etc… que ao meu entender, com uma das mãos dá… e com outra, tira!

Por isso, acho melhor esgrimir sob realidades factuais: - por exemplo…qual é a dimensão da cobertura mediática da viagem de Ban Ki-Moon em África, particularmente em Angola. Em que periódicos internacionais, ou cadeias televisivas tal facto foi ou esta a ser difundido?


Será que a deslocação de Ban Ki-Mon, secretário-geral das Nações Unidas pela primeira vez na África Austral não representa relevância suficiente para as linhas editoriais dos órgãos de comunicação social internacionais?

Afinal o quê, que transforma os meios de comunicação social, como supostos donos da verdade… - a promessa do dia melhor, ou do amanhã perfeito?!


Perante as tais questões, uma realidade subjectiva domina minha consciência. Os governos precisam apostar mais na educação da sua população. Só tendo uma população detentora de conhecimentos, cada nação poderá estar preparada para abortar campanhas de fóruns políticos, cujo resultado visa a curto prazo promover objectivos obscuros, como por exemplo a emancipação da nova forma da política ocidental imperialista, que se pauta no controlo económico e militar dos países mais fracos, impingindo seus ideais oportunistas.


Neste âmbito, são vários os meios de comunicação social que são usados como veículos estratégicos para lançar campanhas politicas internacionais, o que pode ser claramente identificado no conteúdo das matérias publicadas por estes órgãos, que dão primazia aos conteúdos sensacionalistas, amplificando boatos, cujo objectivo final é promover a instabilidade social em outros países.


Acima disto, é preciso haver um compromisso mais acentuado, sob todos aqueles que apegam-se na política como sua actividade quotidiana, por formas a não porem em risco a soberania dos seus países e a vida dos seus povos, uma vez que os meios de comunicação social não sobrepõem os interesses dos estados, isto em nenhuma nação, apesar de que na actualidade de propagar o contrário.