sábado, 20 de novembro de 2010

MPLA, MAIORITÁRIO, TAMBÉM É DEMOCRACIA (Ensaio)


Como quem não quer nada, aquele pedido tinha despertado a atenção de todos moradores do bairro, mereceu também um toque de finura intelectual do doutor Buaqueque, senhor respeitado pelo estudo e pelas kindivas, lá do bairro. Falava-se que era o evento do ano. Afinal de que se tratava?
Era o pedido da Quimbita, filha do Ti-manecas. Não adiantava criticar, pois no que corresponde a crescimento económico, este apresentava um acréscimo de seis dígitos para cada casa, do bairro, que viram as suas vendas a dispararem: já não havia sopa, os pastéis da vizinha Marada também não foram postos de lado, os ovos fervidos e tudo que compunha os ingredientes para uma boa bebedeira, passatempo da maioria da juventude da banda, foram também adquiridos…
A táctica de adquirir todos produtos de auto-consumo na banda para captar a atenção dos demais, foi resultado de uma estratégia implementada há meses, pelo Ti-manecas que não aceitava despender esforço para beneficio de outrem, mesmo que este fosse seu aparentado. Ti-manecas apercebendo-se do compromisso (pedido da filha), lançou uma campanha de mobilização, onde destacou as suas debilidades materiais face as responsabilidades que se lhe aguardava. Não é por acaso, que se considera a filosofia como a essência das ciências. Tudo parte do ideológico. A ideia de construir uma casa, até a sua concepção material, logicamente tem o seu pendor no pré-idealismo.
Talvez os factos, então espelhados, não representam a objectividade deste ensaio, mas certamente, o amigo leitor atento, a de perceber, no final deste ensaio, do porquê da sua contextualização.
Diariamente ouvimos a expressão “partido maioritário”, entretanto lembrar que um partido maioritário é resultado de um sistema eleitoral o qual o mesmo partido sai vitorioso por maioria relativa (ou pluralidade), que representa a maior minoria, ou por maioria absoluta, certamente não é nenhum descalabro…
Mas o que é um partido político?
Partido político, é um grupo organizado formal e legalmente constituído, com base em formas voluntárias de participação, em uma associação orientada para influenciar ou ocupar o poder político em um determinado país.
Não é por casualidade que muitos políticos têm preferido fazer política em ONGs ou criando pequenos partidos políticos que possam controlá-los, e se lançarem, através deles, posteriormente, candidatos a altos cargos políticos, entretanto, este também não é o foco deste ensaio!
Para um melhor enquadramento do tema deste ensaio, propus-me a resgatar o pendor histórico do iluminismo. O iluminismo foi um movimento filosófico que defendeu o final de regimes absolutistas e a divisão de poderes em instituições separadas. Os principais pensadores do movimento foram Montesquieu, Voltaire e Rousseau, na França E Adam Smith, na Inglaterra.
Em sua principal obra “O espírito das leis” Montesquieu analisou as principais formas de governo (despotismo, monarquia e república) posicionando-se como defensor da monarquia parlamentarista.
É nesta obra que Montesquieu afirma que é necessária a separação dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário), sendo cada um deles presidido por instituições distintas e autónomas…outra maka mais!
Em Angola, o MPLA, se assume como um regime político democrático, e melhor que o seu posicionamento, pode-se identificar o seu tipo de liderança politica que se caracteriza pela realização de eleições livres, liberdade de imprensa, respeito aos direitos civis constitucionais, garantias para a oposição e liberdade de organização e expressão do pensamento político.

Tal posicionamento no entanto não anula a disputa pelo poder político e o seu respectivo exercício, inclusive o relacionamento entre aqueles que detêm o poder político (autoridade) e os demais membros da sociedade (administrados).
Na nossa praça estes factos são evidenciados diariamente, na saga da esfera pública. A esfera pública é a dimensão na qual os assuntos públicos são discutidos pelos actores públicos e privados, tal processo culmina na formação da opinião pública que, por sua vez, age como uma força oriunda da sociedade civil, em direcção aos governos no sentido de pressioná-los de acordo com seus anseios.
Sob a óptica de Habermas (sociólogo alemão) em sociedades complexas a esfera pública forma uma estrutura intermediária que faz a mediação entre o sistema político, de um lado, e os sectores privados do mundo da vida e sistemas de acção especializados em termos de funções de outro lado.
Já num outro panorama político, no caso dos Estados Unidos de América onde se acha o protagonismo da democracia, os partidos da disputa política norte-americana também servem para mostrar a solidez das instituições partidárias naquele país. O Partido Democrata, por exemplo, que é o mais antigo dos partidos do país, foi fundado há mais de 200 anos, em 1792, por Thomas Jefferson, um dos chamados "pais fundadores" da nação americana. Jefferson foi também o primeiro membro do partido a chegar à presidência dos EUA, no ano de 1800.
Há pelo menos três outros presidentes norte-americanos do Partido Democrata cujos nomes tiveram maior repercussão no plano internacional: Woodrow Wilson, Franklin D. Roosevelt e John F. Kennedy. Wilson colocou os EUA na Primeira Guerra Mundial, contribuindo decisivamente para o fim do conflito. Também lutou pela criação da Liga das Nações e estabeleceu o Federal Reserve ou Fed, o banco central norte-americano.

Roosevelt governou o país por 12 anos, tendo começado seu governo em meio à catastrófica crise deflagrada pela quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929. Sua actuação foi marcada por uma grande intervenção do Estado na economia e pelo "New Deal", que retirou o país da depressão económica. Kennedy, o segundo mais jovem presidente norte-americano e o primeiro católico a assumir a presidência do país, personificou - no âmbito do possível - os ideais de mudança característicos da década de 1960.
O Partido Republicano também é conhecido por seus membros e simpatizantes como GOP ou Grand Old Party (Grande Velho Partido, onde "grande" se refere mais a valor, do que a tamanho). Embora mais recente do que seu tradicional adversário, também tem mais de 150 anos de idade. Foi fundado em 1854 por militantes antiescravocratas e chegou ao poder quatro anos depois, com a eleição de Abraham Lincoln.

No século 19, o Partido empenhou-se em defesa dos negros e lutou no Congresso pela 13ª. emenda, que aboliu a escravidão; pela 14ª., que garantiu protecção igualitária a negros e brancos; e pela 15ª., que deu direito de voto aos afro-americanos. Com isso, o partido conquistou a simpatia dessa minoria étnica, embora não a tenha mantido ao longo do tempo: desde os anos 1960, os negros norte-americanos votam maioritariamente nos democratas.

Entre os presidentes republicanos de destaque, encontra-se certamente Theodore Roosevelt, um republicano que não pode ser taxado de conservador, no sentido mais estrito da palavra. Prêmio Nobel da Paz de 1906, Ted Roosevelt desenvolveu uma política progressista e, por sinal, foi um pioneiro da preservação ambiental, tendo criado 170 mil km2 de florestas nacionais e 53 reservas naturais.

Como podemos constatar estes partidos lendários, foram, e são maioritários na terra da democracia…por cá, o MPLA é o partido maioritário resultante de um acto democrático (voto), não se apresenta como partido ditatorial, assume sim, a responsabilidade de buscar soluções para os problemas da sociedade, e para isto, recai-lhe o desafio de elaborar e implementar as estratégias mais correctas para o objectivo definido…”o bem-estar social”!

Dizer que se pode alcançar o bem-estar social sem ferir sensibilidades, em algumas ocasiões, estaríamos presentes a uma utopia, afinal a nossa condição de humanos racionais dá-nos a capacidade de pensarmos diferente. Assim, a utopia de culpabilizar o estado para os graves problemas de saneamento, e logo de seguida a reprovação pelo facto do estado assumir a responsabilidade sobre os mesmos factos no tempo e no espaço, é um paradoxo sem fim. Neste âmbito, suscita questionar, retoricamente, é correcto culpar o estado sob tais factos sociais?

Na minha opinião, acho que muitos problemas sociais são sim da culpa do estado; afinal, o estado somos todos nós…

No entanto, cobrar responsabilidades ao governo, ai sim, pode-se espelhar o MPLA, entretanto, o percurso para ser o partido maioritário que é, e os desafios que assumiu para alcançar o bem-estar social, dá-lhe a prova inequívoca que é um partido maioritário por merecer.

Talvez, seja o teu caso, pensares que não estou correcto, e a tua opinião tem mais apoiantes, isto tornar-te maioritário, mas não faz de ti um ditador, quando, aceitas e vives a diferença como um todo, e por fim tens voto de confiança de quem decide.

Ser maioritário é sinónimo de trabalho e compromisso com a vontade do povo.


Epá! Não escrevi politica, pois não!

INTELECTUALISMO E O CLIENTISMO VERDE E VERMELHO (ensaio)


Bento dos Santos


Tão jovem, tão rico, tão velho, logo tão astuto… podia ser diferente, se não fosse o desfecho de um acto solene. Tratava-se de um casamento. Todo mundo «« »» reunido, e, como é habito, a atenção dos distintos convidados centrava-se em dois únicos seres…óbvio, o noivo e a noiva. Também, podia ser diferente, se fosse um casamento insólito, quiçá, “como o de certa cidadã, que pelo mundo dos continentes decidiu casar-se sozinha”, já viram! Mas então, casamento não exige a presença de um casal… em certos casos, o outro parceiro finge assumir ser do sexo oposto…para onde vamos com o modernismo nos eventos… como disse alguém: “quanto mas se estuda mas se entende o desentendido”… epá, esta é outra história, para outro ensaio, quiçá…

Como grafava nas primeiras orações, podia ser um casamento como tantos outros, aqueles em que a noiva exibe um cinismo aparente no olhar, descrevendo o seu receio no que lhe espera nesta nova fase, começando pelo mais logo; onde a noiva olha de esguelha para o noivo, como se este fosse o filho que ela acaba de brotar no mundo, dando uma de que “tenho o homem direito…só a calma dele”! E o noivo então, sorrisos a meio lábios, vinco na testa a ti-respón, mas na mente… passa um copo e mais outro, e quiçá, não podia já começar nas convidadas… mas, epá, põe juízo, afinal não estamos em campanha na vila…

Pois, podia ser diferente, se aquele noivo não fosse um homem com muitas culpas, e os factos o fizeram assumidamente responsável da desgraça de muita gente.

A noiva ainda lembrou-se o quanto seu pai sofrerá, tentando levar avante seus ideais empreendedores, por meio de actividades comerciais, lá na comuna. Os ditos lutadores da democracia queimavam os seus bens (alimentos, bebidas, etc., etc., até o próprio carro que transportava não era poupado…), queimavam a esperança de vida, que já fora repleta de sofrimento. Podia ser diferente, se o noivo não fosse o tal, filho do tal, que neste muito que supostamente fez de conta que fez, não estivesse entre os milhares de mortos, que partem, e nunca dão recado de como é lá, no paraíso ou inferno…

Podia e mais podia… se não se assumissem como os outros, ditos intelectuais, agora nas vestes de professores «« »», começa haver diferença de professor e professor, passa o pleonasmo, se eu for professor do 1º ou 2º ciclo, as pessoas dizem “ele dá aulas” e eu for professor que lecciono em uma universidade, as pessoas dizem “ele é professor universitário”, epá! Como grafava, são os ditos professores universitários, que fingem desnudar-se das cores e subsidiar-se da razão científica, não vai ver que a sala de aula ainda se transforma num confessionário…só que a razão científica não é simétrica ao clientelismo a que estais mergulhados.

Os autores Bobbio, Lévy e Demo, citados na Bibliografia, concordam com um aspecto em comum: o intelectual é definido pelo meio social no qual vive e/ou no qual estabelece sua trajectória social. Um dos principais espaços de actuação do intelectual é a Universidade. A ciência seria parte da ideologia do intelectual, assim como a dedicação à prática científica e o desejo do exercício de um cargo no ensino superior enquanto modo de distinção social. Devido à acção reflexiva, o intelectual é portador de uma autoridade científica quando se expressa.

O intelectual estabelece relações com a sociedade através de seu status de intelectual. Estas relações, inseridas num conjunto maior de relações de poder, colocam o intelectual em situação de comprometimento político: suas ideias não são desvinculadas da existência social e suas proposições seguem uma orientação determinada. O intelectual pode então, através de seu intelecto, contribuir para determinado regime político ou determinada concepção de mundo.
Já o clientelismo é um subsistema de relação política, com uma pessoa recebendo de outra a protecção em troca do apoio político. O que caracteriza o clientelismo é o sistema de troca. Como nota característica o cliente fica em total submissão ao patrão, independentemente de com este possuir qualquer relação familiar, empregatícia ou qualquer outra.
No desenvolvimento social o clientelismo é uma ferramenta muitas vezes utilizada para enfraquecer o capital social e humano de uma determinada localidade, ou de uma nação por inteiro. Ao se privilegiar a obtenção de benefícios oriundos de entes externos a uma localidade, ocorre o enfraquecimento das relações horizontais, homem a homem; cidadão a cidadão, diminuindo a capacidade de colaboração destes indivíduos e ampliando a competição por mais recursos exógenos, e que não geram riquezas locais. Este processo gera um círculo vicioso que ao longo do tempo é capaz de desmobilizar completamente uma comunidade.
Por isso, e segundo Augusto de Franco, o clientelismo busca manter a verticalização da esfera pública e "modos de regulação autocráticos", dificultando a democratização da sociedade. Franco acrescenta ainda que desta maneira os programas de combate a pobreza é desenhada, não faz com que se diminua a pobreza, pois alimenta "continuamente a cadeia vertical de subordinações e favores pela qual se exerce o clientelismo".
Ai surge o paradoxo dos abutres do intelectualismo, que fazem uma mistura na conceituação, criando confusão na interpretação social, classificando-os de intelectuais. Nesta jogada de inteligência, os aparentemente mais sábios, criam cenários propícios para alcançar os seus objectivos, vendendo a imagem de “meros rectos”, entenda-se como parónimo ao adágio “lobos na pele de cordeiros”.
O conflito ideológico introspectivo da questão, quanto mais se ganha…ser intelectual, ou um mero servidor do clientelismo? …tem procurado suporte em várias acepções, como exemplo, a finalidade da existência humana.
Hoje, assistimos o casamento entre o intelectualismo e o clientelismo. E não é que estão a fazer filhos bonitos e aparentemente saudáveis?!
Só que, tem todos um defeito; têm todos o mesmo nome…chamam-se “sistema”! E estes têm também nas suas vestes as cores, verde e vermelha.
Epá! Não escrevi politica, pois não!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Liberdade de Imprensa e os Jornalistas Angolanos



Muitos da actual geração dos jornalistas Angolanos formaram uma categoria de suma importância na implementação do actual sistema politico Angolano. Num passado recente os profissionais da classe viram a sua oportunidade de formação e especialização por via das bolsas atribuidas na década 80.
 
Os jornalistas se formavam na própria redação, e a própria redacção. Muitos vinham de famílias de baixa renda e após serem linotipistas acabavam por se transformar em jornalistas. Facto que até hoje começa a dar sinais de mudança, pois pessoas de baixa renda começam a sentir dificuldades de conseguirem emprego de jornalista numa redação.

Na década de 1990, com o neoliberalismo, o jornalismo virou uma mercadoria como outra qualquer, aqui para nós este fenómeno começou precisamente desde 1992. O que importa é o quanto vai render. Infelizmente a caixa de pandora esta a ser aberta lentamente no jornalismo Angolano e começa a valer tudo ou quase tudo.

Actualmente na grande imprensa mercantil o que importa começa a ser o número de cópias vendidas a verdade factual não é mais buscada e sim o quanto a informação publicada vai render aos investidores, o que promove o sensacionalismo. O jornalista não tem liberdade de escrever sobre o que acha de determinado assunto, e quem dúvidar que o prove... A pauta é ferramenta de controlo.

Actualmente é impossível escrever qualquer matéria sem analisar os parceiros, como exemplo as empresas que anunciam neste meio o que dá a falsa impressão de que só tem liberdade de expressão quem tem muito dinheiro. Assim não é suicidio afirmar que quem estrangula a liberdade de imprensa são os próprios profissionais da classe, mas é preciso sublinhar que estes são os falsos profissionais, individuos adaptados, que pelo facto de saberem escrever são rotulados como jornalistas.

Isso quebra qualquer sentido de imparcialidade do jornalismo. É só ler as matérias das capas dos jornais para perceber que sempre tem uma matéria negativa direccionada ao governo e nada contra a oposição, os pensos mornos não cessam, e não faltam motivos para se escrever sobre taís governantes.

A ordem dos detentores midiáticos é derrubar a imagem do lider do partido no poder não por amor a moralidade pública ou outra causa nobre, mas para assumir uma atitude revanchista de filhos traidos. De forma orgânica a mídia privada tem batido todos finais de semana sobre a imagem presidente de Angola, promovendo a falsa informação de que tem sucesso é corrupto (...) assim julgam os hipocrátes.

E disso sabem os jornalistas que publicam as matérias diariamente nos jornais. Ninguém é ingênuo. Esses jornalistas são oriundos da classe média Angolana e muitos deles são ideologicamente fechados. Seguem de forma canina o que mandam os donos das redacções, alugam o corpo do pescoço para cima. Isso coloca na ordem do dia a necessidade de democratização do acesso aos meios de comunicação. Os bancos Angolanos poderiam conceder financiamento para fortalecer outras empresas de comunicação e que novas sejam criadas. Também portais devem ser criados e estimulados na internet além de popularização da banda larga. As rádios comunitárias precisam de ser rapidamente criadas em toda extensão do país e com apoio, e o espectro eletromagnético (cada canal pode se transformar em quatro).

Talvez deviamos começar pela realização de conferências sobre a Comunicação Social Angolana no seio acádemico trate deste tema com a devida inteligência.

domingo, 7 de setembro de 2008

ELEIÇÕES 2008 EM ANGOLA

CONSTATAÇÃO DE UM ELEITOR

Sou Angolano vivo em Angola, acompanhei e participei no processo eleitoral angolano, não sou na cidade de Luanda onde resido mas também tive a iniciativa de deslocar-me inúmeras vezes ao interior do país pelo que constatei que as eleições em Angola foram realizadas num clima pacífico onde se destacou o protagonismo dos diversos actores políticos. As eleições em Angola foram livres e justas. Passo a ser mais abrangente afirmando que o processo eleitoral no seu todo teve uma avaliação positiva; Sustento esta afirmação com base nos factos a que me foi constatado a partir das campanhas eleitorais para a legislativas, estendendo à presença dos partidos políticos nos meios de comunicação que a meu ver foram puramente individualistas, a constar no modo pelo qual os partidos políticos organizaram a participação de seus candidatos nos programas eleitorais. Estes resgataram junto do eleitorado consequências significativas tanto sobre a sua imagem pública quanto sobre o seu desempenho nas urnas.

A nossa divisão eleitoral foi plurinominal pois o sistema proporcional a que nos submetemos esta associada a esta jurisprudência. Relativamente ao segundo atributo dos sistemas eleitorais que consiste na estrutura do voto que determinou o nosso grau de liberdade democrática (nós eleitores em relação à oferta dos partidos) o nosso voto foi categórico, tendo em conta que nos foi oferecido um cardápio mutuamente exclusivo de alternativas partidárias, dentre as quais cada um de nós escolheu o partido da sua conveniência dentre todos que disputaram as eleições. Este procedimento define inicialmente o quociente eleitoral (QE) que é igual ao somatório de todos os votos válidos dividido pela magnitude do número de eleitores circunscritos.

1º O que determina a quantidade mínima de votos que um partido necessita para obter o direito de eleger algum parlamentar, e funciona como cláusula de exclusão. Assim sendo a fórmula eleitoral a dotada pela CNE (comissão nacional eleitoral) tratou directamente do princípio de representação que permitiu diferenciar, a partir da votação a todos os competidores, os vitoriosos dos derrotados.
Gostaria de enfatizar algumas questões tidas a meu ver como as mais problemáticas neste processo:
1º Porque motivos o eleitor resolve comparecer às urnas no dia da eleição ou, inversamente, resolve ignorar o processo eleitoral?
 
2º O que leva esse mesmo eleitor a decidir votar no candidato/partido A e não no candidato/partido B?

3º Ao correlacionar-mos as fases estruturais que este esteve envolvido o processo eleitoral notamos uma ampla complexidade a que se submetia o seu exercício. Veio a confirmar a tese de Bachelar que afirmou que a “realidade nunca se nos oferece directamente, mas é captada e construída” assim o fizemos mais uma vez com o processo eleitoral que envolveu toda dinâmica social. No entanto a informação divulgada pela CNE sob a prescrição no que corresponderia ao local para o eleitor exercer o seu direito de voto provocou insatisfação, motivou excessivamente a ansiedade tendo em conta que este último (eleitor) localiza-se maioritariamente em contextos de baixa informação, isto é, o imperativo que se sobrepôs ao eleitor em votar em áreas específicas disseminou para negatividade, contrapondo a objectividade do escrutínio. Entretanto tal facto não afectou o eleitorado em seguir as directrizes racionais na selecção do seu partido, esta é uma realidade incontestável!
4º A polémica divulgação (pela CNE) da informação de que o número de boletins atribuídos as assembleias de votos seria limitado em função dos eleitores a esta destinados, espelhou a falta de inteiração no processo de comunicação política de duas vias, onde dois actores nomeadamente CNE e eleitores, deviam previamente dialogar com base em pesquisas que estabelecem um pacto fundamentado em estratégias de intenções, considerando que os eleitores querem que seus desejos, interesses e demandas sejam implementados. Esta anuência indignou a magnitude a que se previa na lisura do processo. Outra constatação menos boa, registou-se no processo de recrutamento e selecção dos recursos humanos, esta foi tardia e não obedeceu os critérios a que se propunha, e mais uma vez foi sub-aproveitada a classe de estudantes universitários, os professores, etc. Isto porque não houve um cronograma de tarefas conciso para este processo que devia ser executado num período de dois meses mínimos de antecedência, ficando por um período de sete dias o refrescamento antes da data do pleito a cinco de Setembro.
5º No que corresponde as horas para formação a CNE em consonância com o governo podia subtrair uma hora da jornada laboral dos membros seleccionados para que estes pudessem se fazer presentes.

Por último houve um erro crasso no que concerne a gestão logística, esteve claramente espelhado na planificação e distribuição do material para a materialização do processo eleitoral.

Quanto a impugnação dos resultados das eleições por parte do partido UNITA vejo-me na necessidade de analisar o conceito da palavra impugnar, que é o acto de contestar ou opor-se a uma ideia ou situação de facto, como é caso dos resultados das eleições. Ora a UNITA ao impugnar os resultados das eleições alegando falta de transparência e abrangência no processo, peca por incoerência entre os seus actos e as palavras; Se não vejamos: A UNITA é parte integrante da CNE logo as deliberações dai emanadas têm também o seu cunho de consentimento, assim sendo as dificuldades e resoluções vividas pela CNE foram também vividas pela UNITA.

A UNITA como partido politico deve antes de mais primar pelo povo, o político que se preza exerce a política para o povo não para sí mesmo e obviamente respeitaria o exercício democrático a que nos propusemos. A acção de votação representa e manifestou a opinião de cada eleitor. Discorrer para diversos lados ou por diferentes partes numa desavergonhada tentativa de busca de pragmatismo internacional, espelhando a falta de nacionalismo é covardia política. Não seria peremptório afirmar que a UNITA debate-se com um discurso que não obedeceu criteriosamente as suas condições de produção, incitando no seu seio o crescimento das condições para a propensão de censura oculta.
No entanto mais uma vez afirmo: As eleições em Angola foram livres e justas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

AZEDURAS E ASSADURAS NO CARRO POLITICO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

A história das civilizações está ligada à construção de redes, desde a rede romana de estradas, passando pelos portos fenícios no mediterrâneo e pelas redes europeias de canais até às linhas de caminho-de-ferro, aos transportes aéreos, às redes de electricidade, de telefone e de televisão. Todas estas redes proporcionaram ligações, quebraram barreiras, reduziram distâncias físicas e psicológicas e, sobretudo, permitiram o intercâmbio de bens, de serviços e de ideias e lembrou-me o programa de um partido político.

Minha indignação ficou estampada quando ao ler os jornais deparei-me com vários artigos nos quais seus actores procuram espelhar a falta de objectividade comunicacional que se lhes atribui, neste caso o eleitorado aos partidos políticos durante a cobertura do tempo de antena que lhes é devido. Ora, numa sociedade que se quer democrática os meios de comunicação social devem estar disponíveis e acessíveis, sob condição que os mesmos deveram procurar reflectir a natureza pluralista dessa mesma sociedade e não se encontrem dominados por um determinado ponto de vista, nem controlados por certos grupos de interesses «». Contudo, a função dos meios de comunicação social ultrapassa a simples informação relativa a acontecimentos ou temas da nossa sociedade, ou a possibilidade concedida aos cidadãos e aos grupos de interesses de apresentarem os seus argumentos e pontos de vista o quer isto dizer que os meios de comunicação social desempenham também uma função educativa em termos sociais; Assim são amplamente responsáveis pela formação de conceitos (não apenas pela informação), convicções e mesmo da linguagem – quer visual e simbólica, quer verbal – que os cidadãos utilizam para dar sentido ao mundo em que vivem, assim como para interpretá-lo.
 
Por conseguinte, os meios de comunicação social conseguem influenciar o que pensamos sobre nós mesmos e onde julgamos enquadrar-nos (ou não) no mundo em que vivemos. Por outras palavras, os meios de comunicação social têm igualmente uma importância fundamental na formação da nossa identidade cultural (somos um povo pacifico por natureza, isto sustenta a nossa historia).

Logo o momento que se vivência (eleições) caça ao voto, é o melhor se não o mais adequado para sair-mos do anonimato, todos que directa ou indirectamente podem contribuir para que se mantenha coesa e integra a força que se nos une de ser-mos únicos e nós mesmos no exercício de democracia a que nos propusemos. Neste contexto, a televisão (o meio audiovisual dominante) assume uma importância crucial e os partidos e coligações não tem justificação credível ao se porém a sombra com argumentos de falta de pessoal qualificado quando estes últimos (apesar de escassos) já andam a deriva a procura de quem os emprega. Para a grande maioria dos utentes de televisão afirmam que esta é uma das principais fontes de informação, de lazer e de cultura. A televisão não se limita a apresentar factos e imagens do mundo, ela fornece também conceitos e categorias, assim sendo, a televisão contribui para determinar não só aquilo que vemos do mundo, mas também como o vemos, é um veiculo de informação ideal para se materializar os objectivos antes preconizados, o que não fez a maioria das coligações e partidos, o que me leva afirmar que “não realizam a tarefa de casa”.
 
Na política e para os políticos a campanha deve ser permanente não de última hora com artifícios para dominar a falta de compreensão, de proporcionalidade gráfica, a que muitos eleitores estão submetidos involuntariamente. A título de exemplo, o direito à liberdade de expressão tem de ser contrabalançado com outros direitos, tais como o direito à protecção dos menores, a exclusão do tribalismo e a protecção da vida privada que muitos partidos atropelam desesperadamente. A hora definida para emissão dos programas dos partidos políticos será que teve estes aspectos em consideração?!

A qualidade e a diversidade devem constituir a base do serviço público de radiodifusão à informação objectiva da opinião pública, à garantia do pluralismo e à transmissão, democrática e gratuita, de programas recreativos de qualidade é legítimo, os radiodifusores aos quais foi confiada uma missão de serviço público procuram abranger um público alargado, de forma a satisfazer as necessidades de todos os grupos sociais.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

JÁ NÃO SE ESCREVE POESIA

Já não se escreve poesia

Já não se escreve para sonhos de ontem amor de hoje

Não se deslumbra mais a harmonia

o que vale hoje é truta

É politica dos sábios do engano

Já não se escreve poesia

Dos mares distantes que deixaram de ser carteiros de sonhos

Já não se escreve mais

Já não se escreve poesia

A imensidão do infinito hoje foi desvendada, segredo hoje já é rotina

Utopia hoje já não é ilusão é estratégia

Já não se escreve mais

Rumba luz

Do papo furado

Boémia é caminho directo

Rumba luz

Os pombos agora criaram sindicato exigem subsidio de carteiro

Já não se escreve mais

Oh rosas declamantes!

Rumaram todas para perfume vende mais

Já não se escreve mais

Rumba luz, do papo furado

De ti já não se escreve mais

Amor próximo vendido distante

Já não se escreve mais

Tudo mais agora é globalização

Mas poesia

Já não se escreve mais

Já não se escreve poesia

(Poema original da autoria de Bento dos Santos)SIMILAR É PLAGIO

segunda-feira, 30 de junho de 2008

QUANDO FALHAMOS PELA DIMENSÃO DAS PALAVRAS

“ Reflexão baseada na sabedoria de grandes mestres”

Certamente em uma ocasião desta vida intensa, o caro leitor já parou e reflectiu sobre uma determinada situação que envolveu a utilização de palavras não apropriadas a uma determinada vivência; Como se lê num provérbio Chinês há três coisas que nunca voltam atrás: “a flecha lançada, a palavra pronunciada, e a oportunidade perdida” quando assim acontece mergulhamo-nos em análises a nossa própria consciência como se de um livro de moral se trata-se, e nos censuramos por não lhe ter consultado, reflectimos em como o essencial é invisível aos olhos e só se vê bem com o coração; no entanto não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros.

A dimensão das palavras é tida pela sua simplicidade que é também considerada o último degrau da sabedoria, o percalço quando mal dimensionamos as palavras não reside apenas na falta de mérito o facto de termos falhado, mas sim o de termos nos apercebido todas as vezes que falhamos. Quando nos auto questionamos sobre a possibilidade de avaliarmos a dimensão das palavras requer saber até que ponto sabemos sugerir, ai sim… lembramo-nos que esta presente a arte de ensinar. Mas atenção…a dimensão das palavras não podem ser vistas apenas no sentido pejorativo elas são muito mais abrangentes, repara que grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres, o homem medíocre espera tudo dos outros, abstendo-se da humildade que é o sólido fundamento de todas as virtudes, ciente de que ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu carácter pois as palavras são a voz do coração em todas as coisas, o sucesso depende de preparação prévia, devemos procurar acima de tudo que as palavras tenham significado e reflictam o nosso pensamento pois quando as palavras perdem o significado as pessoas perdem sua liberdade, lembra-te que só os grandes sábios e os grandes ignorantes são imutáveis, pensa contigo mesmo em como ver o que é injusto e não agir com justiça é a maior das covardias humanas, o mesmo acontece com a dimensão das palavras que como todas as outras coisas na vida podemos perceber que no mundo estão colocadas em categorias, estas são as formas básicas sob as quais a realidade chega até nós, elas são a divisão máxima da realidade e seriam, equivalentemente, os vários tipos de conceitos possíveis, fragmentado no principal veículo do processo de consciencialização; é o pensamento, na dimensão das palavras a prudência é uma virtude, a virtude pondera que as palavras excedam suas acções.

“O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente”